Irão avisa que tem “novas cartas” para a guerra e aumenta receio de fim do cessar-fogo

A poucos dias do fim do cessar-fogo de duas semanas com Washington, Teerão garante que preparou “novas cartas” para usar no campo de batalha caso não seja alcançado um acordo de paz

Francisco Laranjeira

O Irão voltou a lançar um aviso direto aos Estados Unidos e aumentou os receios de nova escalada militar no Médio Oriente. A poucos dias do fim do cessar-fogo de duas semanas com Washington, Teerão garante que preparou “novas cartas” para usar no campo de batalha caso não seja alcançado um acordo de paz.

A ameaça foi feita por Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e um dos principais negociadores do regime, citado pelo ‘The Independent’.

“Não aceitamos negociações sob a sombra de ameaças e, nas últimas duas semanas, preparámo-nos para revelar novas cartas no campo de batalha”, escreveu na rede X.

Ghalibaf acusou ainda Donald Trump de querer “justificar um regresso à guerra” através de um cerco ao Irão e de violações da atual trégua.

O que são as “novas cartas”?

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O regime iraniano não explicou ao certo o que pretende fazer, mas o ‘The Independent’ aponta vários cenários que estão a preocupar governos e mercados.

Fechar um estreito vital para o comércio mundial

Uma das hipóteses mais faladas passa pelo estreito de Bab el-Mandeb, corredor estratégico que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Aden e ao Oceano Índico.

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Aliados do Irão, nomeadamente os rebeldes Houthis no Iémen, já ameaçaram bloquear a passagem se Trump “não mudar de rumo”.

Trata-se de uma rota crítica para comércio global e energia. Segundo dados americanos citados pelo jornal britânico, passaram por ali em 2025 mais de 4 milhões de barris de petróleo por dia, cerca de 6% do total mundial.

Um bloqueio poderia provocar novo choque nos combustíveis, inflação e perturbações logísticas globais.

Ciberataques à água e energia

Outra ameaça séria são os ciberataques.

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Agências de segurança dos EUA alertaram para riscos acrescidos em infraestruturas de água potável, saneamento e energia, setores considerados vulneráveis a grupos ligados ao Irão.

Especialistas americanos admitem que uma única intrusão pode interromper sistemas, contaminar redes, danificar equipamentos e abalar confiança pública.

O Irão já foi acusado no passado de ataques informáticos em vários países, embora Teerão negue e acuse também EUA e Israel de operações semelhantes.

Ataques políticos e diplomáticos

O ‘The Independent’ refere ainda que Teerão pode procurar alvos diplomáticos, consulares ou comerciais ligados aos EUA e aos seus aliados.

Entre os cenários discutidos estão também operações contra figuras consideradas estratégicas pelo regime, numa lógica de retaliação pelas mortes de líderes iranianos e altos responsáveis militares durante a guerra.

Nova ofensiva contra energia no Golfo

Outra possibilidade é o regresso dos ataques a infraestruturas energéticas nos países do Golfo.

Segundo estimativas citadas pelo jornal, já terão sido causados 58 mil milhões de dólares (cerca de 54 mil milhões de euros) em danos desde o início da guerra, com refinarias, gasodutos e instalações petrolíferas entre os principais alvos.

A Agência Internacional de Energia indicou ainda que mais de 80 instalações energéticas foram atacadas desde o arranque do conflito, sendo mais de um terço gravemente danificadas.

Trégua por um fio

A trégua entre Washington e Teerão termina esta quarta-feira e continua sem garantias de prolongamento.

Trump insiste que quer um “grande acordo”, mas as palavras vindas de Teerão mostram um ambiente cada vez mais hostil.

Quando o Irão fala em “novas cartas”, a mensagem parece clara: se a diplomacia falhar, a próxima fase pode ser ainda mais perigosa.

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