O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou os Estados Unidos de procurarem reabrir a guerra e de esperarem uma rendição de Teerão, numa altura em que as duas partes trocam propostas para tentar pôr fim ao conflito iniciado a 28 de fevereiro. As declarações, divulgadas pela ‘TRT World’, surgem com o cessar-fogo em vigor desde 8 de abril sob pressão crescente.
Numa mensagem áudio publicada no seu site oficial, Ghalibaf afirmou que os movimentos americanos, “abertos e clandestinos”, mostram que Washington não abandonou os seus objetivos militares, apesar da pressão económica e política. “O inimigo procura começar uma nova guerra”, disse o responsável iraniano, acrescentando que os EUA continuam a tentar forçar Teerão a aceitar “exigências excessivas”.
O negociador iraniano apontou em particular para a pressão económica e para o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos a portos e navios iranianos desde 13 de abril. A tensão no Golfo agravou-se desde então, com o Estreito de Ormuz transformado num dos principais pontos de pressão da crise energética e militar.
As declarações de Ghalibaf surgem no mesmo dia em que os Guardas Revolucionários iranianos ameaçaram alargar a guerra para fora da região caso os Estados Unidos e Israel retomem os ataques. A força iraniana avisou que, se a “agressão” contra o Irão se repetir, a guerra “estender-se-á desta vez muito para além da região”.
A ameaça respondeu às declarações de Donald Trump, que voltou a admitir novos ataques caso Teerão não aceite um acordo de paz. O Presidente americano afirmou esta quarta-feira que não tem “pressa” em fechar um entendimento, mas também deixou claro que os EUA mantêm a opção militar em aberto.
Ghalibaf defendeu que o Irão deve reforçar a preparação militar para responder a qualquer novo ataque. “Devemos fortalecer os nossos preparativos para uma resposta eficaz e contundente a qualquer potencial ataque”, afirmou, insistindo que o país “nunca cederá à intimidação, em circunstância alguma”.
O responsável iraniano reconheceu, ainda assim, a pressão económica que pesa sobre a população, apelando à unidade nacional. “Hoje é mais claro do que nunca que estamos envolvidos numa guerra de vontades. Quem vencer esta guerra escreverá a história do Irão e determinará o seu futuro”, declarou.
O impasse mantém-se apesar da troca de propostas entre Teerão e Washington. A ‘Reuters’ noticiou que as negociações continuam bloqueadas e que o Irão tem insistido em condições já rejeitadas por Trump, incluindo o levantamento de sanções, a libertação de ativos congelados, compensações pelos danos da guerra, retirada de tropas americanas da região e controlo do Estreito de Ormuz.
A crise tem impacto direto nos mercados energéticos. O controlo parcial de Ormuz, o bloqueio americano a navios iranianos e a incerteza sobre uma eventual retoma dos combates continuam a pressionar rotas marítimas e preços do petróleo. Para Teerão, a resistência é apresentada como defesa da soberania. Para Washington, a pressão militar e económica continua a ser usada como instrumento para tentar forçar um acordo.













