O investimento em imobiliário comercial em Portugal registou uma forte subida até setembro de 2025, totalizando 1,8 mil milhões de euros, um crescimento de 60% face ao mesmo período do ano anterior, segundo o relatório Market Outlook Q3 2025 da Savills.
Só no terceiro trimestre, o volume investido atingiu 572 milhões de euros, mais 50% do que no período homólogo, refletindo sinais de estabilização do mercado após o ajustamento das expectativas causado pela subida das taxas de juro.
Entre janeiro e setembro, o volume médio por transação aumentou 47%, evidenciando uma maior concentração de capital por operação. Comparando com a média dos últimos três anos, o volume acumulado cresceu 35%, sinalizando um crescimento consistente do investimento no setor.
Pedro Figueiras, Head of Capital Markets da Savills, comenta: “O ano de 2025 tem revelado uma performance sólida, marcada pelo crescimento consistente dos níveis de investimento em todos os setores. O mercado imobiliário comercial português continua a captar a atenção de investidores globais diversificados, enquanto se nota também maior liquidez e apetite por parte de investidores nacionais.”
Entre janeiro e setembro, os setores de retalho e hotelaria representaram mais de metade do volume total investido, com crescimentos homólogos de 99% e 21%, respetivamente.
No retalho, os centros comerciais destacaram-se como a classe de ativos mais dinâmica, captando mais de 500 milhões de euros e reforçando a maturidade do segmento junto de fundos institucionais e de private equity. O segmento de escritórios também recuperou protagonismo, apoiado por níveis de ocupação estáveis e escassez de produto de qualidade em localizações centrais.
O investimento em ativos alternativos, como residências de estudantes (PBSA), ganhou peso, impulsionado pela procura em cidades universitárias como Lisboa, Porto e Coimbra.
Fundos de investimento e sociedades de gestão de ativos imobiliários representaram mais de metade do volume transacionado até setembro. Os investidores institucionais mantiveram-se ativos, sobretudo nos segmentos de escritórios e retalho.
As prime yields estabilizaram na maioria dos segmentos no terceiro trimestre, com compressão em ativos como supermercados e PBSA, num contexto de elevada procura, oferta limitada e rendas estáveis.
Detalhe por setores
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Hospitality: O investimento atingiu 390 milhões de euros, mais 20% que em 2024. Cerca de 80% do investimento foi cross-border, reforçando Portugal como destino europeu preferencial. O Algarve e a Grande Lisboa concentraram a maior fatia do capital, seguidos pelo Porto e região Norte. Entre janeiro e setembro, Portugal recebeu mais de 25 milhões de hóspedes, 61% internacionais, e abriram-se 59 novos hotéis com 5.600 quartos.
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Escritórios: O investimento no segmento atingiu 235 milhões de euros (13% do total). A prime yield subiu 25 pontos base para 5,00%. Em Lisboa, o take-up no terceiro trimestre foi de 47.378 m² (+16% face a 2024), embora a absorção acumulada até setembro tenha recuado 22% devido à escassez de espaços prime. No Porto, o take-up trimestral foi de 18.000 m², acumulando uma quebra de 54% até setembro, com mais de metade do pipeline proveniente de projetos de reabilitação.
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Industrial & Logística: O setor registou um investimento acumulado de 148 milhões de euros, superando os volumes totais de 2023 e 2024. Apesar da escassez de instalações modernas, o stock logístico aumentou 7% e a absorção total recuou 30% face a 2024, mas cresceu 65% em cadeia no terceiro trimestre. Operações em pré-arrendamento representaram 46% da absorção, reforçando a procura por produto logístico de qualidade.
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O mercado imobiliário comercial em Portugal evidencia um ano de 2025 sólido, com destaque para retalho e hotelaria, recuperação do setor de escritórios e dinamismo no segmento industrial e logístico, sustentado por procura elevada e capital diversificado, nacional e internacional.













