O debate sobre a eficácia do investimento ativo versus passivo, que durante anos marcou o setor financeiro, parece estar a perder força. Richard Oldfield, CEO da Schroders, afirma que a gestão ativa vai muito além da simples seleção de ações e que os investidores estão a adotar abordagens mais sofisticadas e diversificadas.
Nos últimos anos, surgiram fundos passivos que não seguem índices amplos, mas que se concentram em temas, estilos ou regiões específicas. Apesar de passivos, estes fundos são utilizados como blocos de construção em carteiras de forma claramente ativa, sublinha Oldfield.
A recente volatilidade do mercado reforçou os riscos associados à concentração de índices, como o MSCI World, dominado por empresas norte-americanas, com apenas dez ações a representar metade do índice. Embora os investidores tenham beneficiado dos ganhos da S&P500 desde 2010, o sell-off provocado pelas tarifas de Donald Trump evidenciou os perigos da complacência.
Segundo o Global Investor Insights Survey da Schroders, que incluiu 995 investidores profissionais com ativos globais de 67 mil milhões de dólares, 80% dos participantes indicam estar mais inclinados a recorrer a estratégias ativas nos próximos 12 meses. Os investidores procuram agora diversificação geográfica, por estilos e classes de ativos, reduzindo a exposição ao dólar e direcionando capital para Europa, Ásia e mercados emergentes.
O estudo mostra ainda um crescente interesse em mercados privados, especialmente dívida privada e alternativas de crédito, consideradas agora as mais atrativas para investidores em busca de rendimento. Este movimento reforça a ideia de que a distinção entre ativo e passivo se torna cada vez menos relevante.
Novas tecnologias, como inteligência artificial e blockchain, prometem tornar os investimentos ainda mais personalizados, adaptando carteiras a objetivos individuais e preferências de sustentabilidade, enfatiza Oldfield. Segundo o CEO da Schroders, o futuro do investimento não se centra mais na polaridade entre ativo e passivo, mas sim em soluções eficazes que respondam às necessidades concretas dos investidores.













