Existem em todo o mundo mais de 37 milhões de pessoas que convivem com o vírus da imunodeficiência humana, conhecido pela sigla HIV, segundo dados atualizados e divulgados pelo ‘Unaids’ (programa das Nações Unidas criado em 1996 que cria soluções e ajuda as nações no combate à Sida).
Aos milhões de indivíduos afetados, direta ou indiretamente, por esta infeção desde os anos 80, chega agora a notícia de que o Brasil pode trazer uma nova esperança a esta sua realidade: os investigadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) podem ter desenvolvido um tratamento eficiente na cura da infeção, avança a ‘CNN’.
Coordenada pelo infectologista Ricardo Sobhie Diaz, diretor do Laboratório de Retrovirologia do Departamento de Medicina da Escola Paulista de Medicina (EPM/ Unifesp), a pesquisa envolveu, na sua primeira etapa em 2013, a participação de 30 voluntários que possuíam carga viral indetetável e, por isso, não podiam temporariamente transmitir a doença. Estes voluntários foram tratados com um ‘cocktail’, o tratamento mais eficiente e conhecido até então que mistura três tipos de antirretrovirais.
Agora, segundo informações preliminares, esta equipa conseguiu eliminar a presença do HIV do organismo de um homem que vivia com o vírus há sete anos, a partir de um tratamento experimental e que não envolve transplante de medula para a cura. Este paciente está já há 17 meses sem sinal do micro-organismo.
Este modelo de tratamento funciona a partir de células dendríticas — uma das principais células do sistema imune para a identificação de antígenos — e é feito de forma individual, sob a respetiva procura de cada paciente.
Para a elaboração deste tratamento experimental, os investigadores trabalharam a partir de monócitos (determinado tipo de célula dendrítica) e peptídeos (biomoléculas formadas pela ligação de dois ou mais aminoácidos) do vírus, encontrados no sangue do próprio paciente.
Inicialmente, a equipe da Unifesp investigou duas frentes para a cura da infeção do HIV, sendo a primeira a partir de medicamentos que consigam eliminar o vírus, no momento, a sua replicação e que também possam eliminar células em que o HIV fica adormecido, ou seja, em estado de latência. Já a outra abordagem consistia no desenvolvimento de um tratamento que estimule o sistema imunológico a reagir e eliminar células infetadas, onde os remédios comuns não chegam.
Entre os resultados, duas substâncias já foram avaliadas como boas aliadas na luta contra o HIV: a auranofina (um remédio antirreumático, conhecido como sal de ouro, que já não era mais utilizado há anos pelos médicos) e a nicotinamida (uma forma da vitamina B3 que impede o vírus de se esconder nas células).
No entanto, a descoberta dessas substâncias “apenas” reduz, de forma expressiva, a carga viral do paciente, mas não pode curá-lo. O que levou os investigadores a desenvolver uma espécie de vacina que conseguisse ensinar o organismo do paciente a identificar as células contaminadas pelo HIV e a destruí-las, como aconteceu com o paciente que está há 17 meses sem a presença do vírus no organismo.
Numa segunda etapa, esta pesquisa para a cura do HIV deverá incluir mulheres voluntárias pois até o momento todos os participantes são homens (cerca de 60 pacientes).



