Investigador da Nova SBE recebe bolsa europeia de 1,5 milhões de euros para investigar o impacto económico do fim dos gangs

O investigador Nikita Melnikov, professor auxiliar de Economia na Nova School of Business & Economics (Nova SBE), foi distinguido com uma ERC Starting Grant, do Conselho Europeu de Investigação (ERC), no valor de 1,5 milhões de euros.

André Manuel Mendes

O investigador Nikita Melnikov, professor auxiliar de Economia na Nova School of Business & Economics (Nova SBE), foi distinguido com uma ERC Starting Grant, do Conselho Europeu de Investigação (ERC), no valor de 1,5 milhões de euros.

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O financiamento vai apoiar, durante cinco anos, um projeto que pretende estudar as consequências económicas e sociais do desmantelamento das organizações criminosas em El Salvador.

O projeto, denominado Gang Crackdowns: Labour Mobility, Development, and Discrimination in Post-Gang El Salvador (CRACKDOWNS), vai analisar o que acontece às comunidades quando os grupos criminosos deixam de controlar o território e se algumas das barreiras económicas e sociais impostas durante décadas conseguem desaparecer.

A bolsa atribuída a Melnikov representa a quarta ERC Starting Grant conquistada pela Nova SBE e é, este ano, a única atribuída em Portugal no painel dedicado às áreas da Economia, Gestão e Finanças.

A investigação centra-se em El Salvador, onde os gangs MS-13 e Barrio 18 controlaram durante décadas vastas áreas do território, condicionando a circulação da população e o acesso a oportunidades profissionais. Em 2022, uma operação de larga escala desencadeada pelo Governo salvadorenho conduziu à detenção de mais de 1% da população e ao desmantelamento rápido das estruturas territoriais dos gangs.

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A situação criou uma oportunidade para estudar quais os efeitos da governação criminosa que desaparecem quando os gangs perdem o controlo e quais continuam a afetar as comunidades mesmo depois dessa transformação.

Investigação anterior de Nikita Melnikov já tinha demonstrado que as fronteiras impostas pelos gangs restringiam a mobilidade dos residentes e dificultavam o acesso a empregos mais bem remunerados. Essas limitações contribuíam para diferenças significativas de rendimento e de outros indicadores socioeconómicos entre zonas controladas pelos gangs e áreas vizinhas.

Os primeiros resultados obtidos após a operação apontam para uma redução significativa dessas restrições. As diferenças na liberdade de circulação entre antigas zonas controladas pelos gangs e as áreas circundantes diminuíram, ao mesmo tempo que também se registou uma aproximação nos níveis de rendimento e riqueza.

No entanto, as desigualdades não desapareceram totalmente e poderão ter surgido novas formas de discriminação. Num estudo-piloto realizado junto de empregadores salvadorenhos, candidatos com perfis idênticos tinham 60% mais probabilidade de ser selecionados quando apresentavam uma morada fora de uma antiga zona controlada por gangs.

É precisamente a persistência destas barreiras que estará no centro do projeto CRACKDOWNS. Uma das linhas de investigação será dedicada à educação e à formação de capital humano. A melhoria das condições de segurança poderá permitir uma maior frequência escolar e reduzir a exposição das crianças ao recrutamento pelos gangs. Por outro lado, a detenção de pais ou de outros elementos do agregado familiar poderá provocar efeitos negativos na estabilidade das famílias e nos percursos escolares.

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O projeto vai também analisar a redistribuição da atividade económica e do investimento. A melhoria da segurança poderá tornar as antigas zonas controladas pelos gangs mais atrativas para novas empresas, nomeadamente devido aos preços relativamente baixos do imobiliário. O estigma associado a esses territórios e a concentração de empresas noutras zonas poderão, contudo, dificultar essa recuperação.

Uma terceira vertente da investigação será dedicada ao mercado de trabalho, procurando perceber se programas específicos podem ajudar a combater a discriminação baseada no local de residência e facilitar a integração no mercado formal de trabalhadores provenientes de antigas zonas controladas pelos gangs.

Para Pedro Oliveira, Dean da Nova SBE, a atribuição da bolsa representa um reconhecimento da qualidade da investigação desenvolvida pela escola e da capacidade dos seus investigadores para abordar desafios de relevância económica e social.

Já Paulo Pereira, reitor da Universidade NOVA de Lisboa, considera que a ERC Starting Grant constitui um reconhecimento da excelência científica da Nova SBE e da Universidade NOVA de Lisboa, destacando a capacidade das instituições portuguesas para afirmar talento científico num contexto internacional competitivo.

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