A Premier League inglesa continua a atrair investidores internacionais dispostos a pagar valores recorde pelos seus clubes, seduzidos pelas enormes receitas que geram a cada ano em comparação com o resto das ligas europeias.
De acordo com o ”Financial Times”, a última entidade a juntar-se à lista de equipas à venda é o clube londrino Tottenham, propriedade do grupo de investimento Enic desde 2001. Segundo a fonte internacional, o clube tem o interesse do fundo norte-americano MSP Sports Capital, presidido e fundado pelo empresário de origem iraniana Jahm Najafi, e que é acionista minoritário do Alcorcón, que joga na terceira categoria do futebol espanhol.
A mesma fonte sublinha que esta oferta avaliaria o clube, um dos principais do campeonato inglês e regular na Liga dos Campeões, em 3 mil milhões de dólares (2,8 mil milhões de euros), aos quais teriam de ser adicionados outros 750 milhões como dívida. O MSP está estreitamente ligado ao xeque de Abu Dhabi, que já é dono do Manchester City há anos.
Este mesmo fundo também demonstrou interesse em adquirir o Everton, que está a construir um novo estádio. No entanto, a sua carreira desportiva é mais incerta, estando mais abaixo no campeonato. Além disso, o Tottenham tem um dos estádios mais modernos da Europa, inaugurado em 2019 e no qual investiu 1.000 milhões de euros.
A Premier League vive um momento de loucura investidora desde que o Manchester United abriu um processo de venda em novembro. Nessa altura, os seus proprietários, a família Glazer, começaram a pedir pelo menos 6 mil milhões para fechar a venda. Desde então, o fundo soberano do Catar, já dono do PSG, aparece entre os interessados.
O Liverpool também se abriu para novos investidores. O seu proprietário, o Femway Group, não descarta a partilha do capital, avaliado em cerca de 5.000 milhões de euros. Juntamente com a participação no Tottenham, as potenciais operações atingem os 15.000 milhões, a que se devem acrescentar os 4.800 milhões em que se fechou a venda do Chelsea ao americano Todd Boehly, embora boa parte correspondesse a dívida.
Os investidores olham para a Premier League atraídos pela sua enorme capacidade de faturação. Os clubes britânicos vão faturar cerca de 7 mil milhões de euros este ano, segundo estimativas da Deloitte, o mesmo que a La Liga e a Bundesliga juntas.
Desse montante, 58%, cerca de 4.000 milhões, correspondem a direitos audiovisuais, e o sistema de distribuição de receitas da liga inglesa concede a cada equipa uma parte importante deste bolo. Na época passada, o clube que menos obteve deste montante foi o último classificado, o Norwich, com 100 milhões de libras, cerca de 112 milhões de euros. Em Espanha, apenas três clubes ganham mais com direitos de imagem: FC Barcelona, Real Madrid e Atlético, diz o ‘El Pais’.
Mas nem tudo são vantagens, as receitas mais altas estão a traduzir-se em despesas mais altas. Nesta temporada, os clubes ingleses ultrapassaram os 3.000 milhões de euros em transferências, o dobro do recorde anterior.
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