Investidora de 93 anos abre guerra contra o JPMorgan

Beverley Schottenstein confiou aos netos a tarefa de gerir o seu dinheiro, mas garante ter sido enganada e, como consequência, perdido dezenas de milhões de dólares em potenciais ganhos. Contudo, não baixou os braços e decidiu lutar pelos seus direitos, abrindo guerra contra o maior banco dos Estados Unidos da América, o JPMorgan Chase & Co..

De acordo com a Bloomberg, Beverley Schottenstein tinha mais de 80 milhões de dólares no JPMorgan, cuja supervisão estava a cargo de dois conselheiros financeiros que, por acaso, também eram seus netos. De acordo com a mulher de 93 anos, ambos investiram o seu dinheiro em negócios arriscados sem o seu consentimento. Para tentar cobrir o rasto, destruíram documentos e fizeram com que declarações bancárias desaparecessem.

Com a ajuda dos advogados, Beverley Schottenstein levou os netos e o próprio banco a uma sessão de arbitragem liderada pela Financial Industry Regulatory Authority. A mesma agência noticiosa conta que o objectivo era conseguir pelo menos 69 milhões de dólares e, após meses de depoimentos, a entidade reguladora acabou por decidir a favor da lesada.

Segundo documentos oficiais, a Financial Industry Regulatory Authority considerou que tanto a J.P. Morgan Securities, unidade de negócio do JPMorgan, como Evan Schottenstein e Avi Schottenstein, são culpados de abusar dos seus poderes e de levar a cabo esquemas fraudulentos. O regulador determinou ainda que o banco e um dos netos são culpados de abuso de idosos.

Como resultado, foram condenados a pagar aproximadamente 19 milhões de dólares, compensação que deverá ser repartida pelas três partes.

«Eles fizeram muito dinheiro comigo, aqueles miúdos, muito dinheiro», afirmou Beverly Schottenstein numa entrevista antes do anúncio da decisão. Citada pela Bloomberg, frisa que «eles não tinham o direito de ir tão longe com o JPMorgan. O JPMorgan tinha de pará-los, mas também se estava a safar muito bem».

A ambição de Beverly Schottenstein é que o caso sirva também para chamar a atenção para as práticas enganadoras e para os abusos que existem no mercado financeiro, nomeadamente no que concerne a população mais velha.

O JPMorgan, por seu turno, despediu os dois irmãos: «Estes consultores já não estão com a empresa e as suas acções não representam os nossos valores», afirmou Veronica Navarro, porta-voz do banco.

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