Inversão dos pólos magnéticos da Terra pode ter extinguido os neandertais. Evento pode repetir-se

A inversão dos pólos magnéticos da Terra, juntamente com uma quebra temporária do campo magnético global há cerca de 42 mil anos, pode ter desencadeado uma série de mudanças ambientais, tempestades solares e a extinção dos neandertais, de acordo com um novo estudo publicado esta sexta-feira na revista Science.

O campo magnético do planeta Terra protege-nos, atuando como um escudo. No entanto, o campo geomagnético não é estável em força e direção, e tem a capacidade de se virar ou de se inverter.

Há cerca de 42 mil anos, num evento conhecido como “Laschamp Excursion” (ou “Evento de Laschamp”), os pólos fizeram exatamente isso durante cerca de 800 anos, mas os cientistas não sabiam ao certo como é que isso afetou o mundo.

Agora, uma equipa de investigadores da Universidade de Nova Gales do Sul de Sydney e do Museu do Sul da Austrália dizem que a inversão, juntamente com a mudança dos ventos solares, pode ter despoletado uma série de mudanças climáticas graves, causando alterações ambientais e a extinção em massa, por exemplo.

Os investigadores analisaram os anéis de crescimento das antigas árvores kauri da Nova Zelândia, sendo que algumas tinham sido preservadas em sedimentos durante mais de 40 mil anos. Os anéis das árvores permitiram, então, medir e datar o pico dos níveis de radiocarbono atmosférico causado pelo colapso magnético e criaram uma escala do tempo detalhada de como mudou a atmosfera.

No artigo, os especialistas dizem também que atualmente há um movimento rápido do pólo magnético norte através do hemisfério norte – o que pode sinalizar que outra reversão pode acontecer algures no futuro. “Esta velocidade pode indicar uma reversão iminente”, disse um dos autores, Alan Cooper, do Museu da Austrália Meridional.

“Se um evento semelhante acontecesse hoje, as consequências seriam enormes para a sociedade moderna. A radiação cósmica que entra destruiria as nossas redes de energia elétrica e de satélite”, disse ainda, citado pela CNN.

“Uma reversão do pólo magnético ou uma mudança extrema na atividade do Sol seriam aceleradores da mudança climática sem precedentes. Precisamos urgentemente de reduzir as emissões de carbono antes que tal evento aleatório aconteça novamente”, sublinhou, acrescentando que a atividade humana já elevou o carbono na atmosfera a níveis “nunca vistos pela humanidade antes”.

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