Invasão da Ucrânia trouxe consequências inesperadas à Rússia. Quais foram?

A Rússia tomou uma decisão, mas estaria preparada para todas as consequências que poderia advir? O Kremlin iniciou uma “operação especial” em território ucraniano, uma guerra em território europeu que tem devastado a Ucrânia mas que também tem tido um impacto significativo economia e políticas russas.

André Manuel Mendes

A Rússia tomou uma decisão, mas estaria preparada para todas as consequências que poderia advir? O Kremlin iniciou uma “operação especial” em território ucraniano, uma guerra em território europeu que tem devastado a Ucrânia mas que também tem tido um impacto significativo economia e políticas russas.

 



Impacto económico

Aquando da anexação da Crimeia por parte da Rússia, a comunidade internacional não teve uma resposta imediata e eficaz, no entanto, com o ataque à Ucrânia, o Ocidente marcou uma posição e iniciou um conjunto de sanções que a empresas e indivíduos russos.

De acordo com o Instituto de Finanças Internacionais, a economia da Rússia deve contrair em até 15% em 2022 por causa da guerra, e espera ainda que a contração económica seja duas vezes mais acentuada que a recessão russa durante a crise financeira global.

Analistas da TS Lombard disseram à ‘CNBC’ que a previsão aponta para que os cidadãos russos sofram um “sério golpe” nos padrões de vida, visto que taxa de inflação anualizada ficou em 9,2% em fevereiro e deve ter subido acentuadamente em março, esperando-se que se situe entre os 30 e os 35% até ao final do ano.

 

Risco de o Ocidente abandonar o gás russo

“Uma nova escalada da guerra pode trazer mais boicotes à energia russa, o que prejudicaria drasticamente a capacidade da Rússia de importar bens e serviços, aprofundando a recessão”, explicou o Instituto de Finanças Internacionais.

Este é também uma das consequências desta guerra para a Rússia. A guerra fez com que a Europa procurasse alternativas à dependência do gás russo, prejudicando as receitas da Rússia provenientes das exportações da energia.

Em 2021 a União Europeia importou cerca de 45% do seu gás da Rússia, mas a Comissão Europeia já se comprometeu a reduzir a dependência do gás russo em dois terços até ao final de 2022.

 

A guerra uniu o Ocidente

Putin certamente não esperava não só uma reação tão rápida do Ocidente, nem tampouco que os países concordassem em uníssono com as sanções e apoiassem a Ucrânia como o estão a fazer.

“A reação do Ocidente é sem precedentes. Está além do que qualquer um poderia prever – unido e muito mais do que qualquer um na Rússia estava à espera”, disse à ‘CNBC’ Anton Barbashin, analista político e diretor editorial da revista ‘Riddle Russia’.

Barbarshin acredita que esta “guerra económica final” não irá terminar com o conflito, mas irá sim acabar por ter um impacto na Rússia de Putin como conhecemos hoje.

 

Empresas continuam a abandonar a Rússia

Desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia foram centenas as empresas que anunciaram que iriam abandonar o mercado russo, fechar lojas e parar com as suas atividades no país. Grandes multinacionais com presença e importância económica para o país fecharam as portas, e as contas a este “boicote” ainda serão feitas no futuro por parte da Rússia.

A Universidade Yale, uma instituição de ensino superior privada americana, identificou várias dezenas de empresas com exposição particularmente significativa aos mercados russos. Decidiram assim elaborar uma lista com as empresas que abandonaram e que permanecem a sua atividade na Rússia, lista essa atualizada diariamente por Jeffrey Sonnenfeld e sua equipa de pesquisa no Yale Chief Executive Leadership Institute.

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