As restrições da política ‘zero Covid’ na China vão afetar a recuperação global da cadeia de abastecimento, uma vez que qualquer pequena interrupção no país provavelmente terá “efeitos em cascata” em todo o mundo.
O alerta foi dado pelo diretor do departamento de transportes do grupo financeiro britânico HSBC. A pandemia revelou “como a cadeia de abastecimentos se tornou escassa. E há pouca margem de erro”, disse Parash Jain, em declarações à ‘CNBC’.
“A grande importância da China quando se trata de comércio global, significa que qualquer pequena interrupção no país terá um efeito cascata em toda a cadeia de abastecimento”, disse Jain esta segunda-feira.
A China, a segunda maior economia do mundo, duplicou a sua estratégia de ‘zero Covid’ devido aos recentes picos de infeções em todo o país. Registaram-se casos de Covid-19nas principais cidades portuárias de Shenzhen, Tianjin e Ningbo, bem como no centro industrial de Xi’an, resultando em bloqueios e restrições nos maiores centros portuários.
O país registou 58 novos casos de Covid-19 esta segunda-feira, segundo a autoridade nacional de saúde. A Comissão Nacional de Saúde disse que 40 dos novos casos eram infeções locais, com os 18 restantes a vir do exterior.
Apesar de ter um número relativamente baixo de casos em comparação com muitos outros locais da Ásia, Pequim apegou-se à sua abordagem ‘zero Covid’.
A china tinha uma média móvel a sete dias de 0,04 casos diários por milhão de habitantes a 30 de janeiro, em comparação com 568,8 para o Japão, 290,41 para a Coreia do Sul e 180,35 para a Índia, de acordo com Our World in Data.
O país asiático tem a infraestrutura certa para descongestionar rapidamente – seja no porto ou na cadeia de abastecimentos, disse Jain. “No entanto, o caos criado por este motivo, vai acabar por ter um impacto no outro lado do oceano”, acrescentou.
“É por isso que, enquanto a China mantiver esta postura muito rígida, não podemos descartar uma interrupção periódica à medida que o ano avança”, acrescentou.
Desde que a pandemia começou no início de 2020, Pequim manteve uma política de tolerância zero à Covid-19, às vezes ao fechar fábricas ou portos inteiros como resultado de um único caso. A política inclui ainda quarentenas restritas e restrições de viagem para controlar surtos.
As restrições destinadas a conter a Covid-19 tiveram impacto nas operações de produção e transporte a nível global, exacerbando a crise da cadeia de abastecimento.
Como resultado da pandemia, algumas das grandes linhas de transporte de contentores “estão a tentar obter maior controlo sobre toda a cadeia de abastecimento”, disse Jain.
“Há investimentos na logística do lado terrestre. Há investimentos do lado do terminal. Mas, acho que algumas dessas infraestruturas, particularmente, no mercado desenvolvido, estão muito atrasadas”, defendeu o responsável.






