Os interrogatórios aos três detidos no âmbito da investigação por suspeitas de corrupção na Madeira foi adiados para esta terça-feira: de acordo com os advogados de Avelino Farinha, um dos três detidos, “o primeiro dos arguidos a prestar declarações começa amanhã, às 10h30”.
De acordo com o advogado Raul Soares da Veiga, o atraso deveu-se, em parte, à necessidade de corrigir vários lapsos por parte do Ministério Público (MP). “É importante que esses lapsos sejam corrigidos, porque as coisas têm de ser muito rigorosas”, defendeu, revelando que “houve de tudo” no que toca aos referidos lapsos – esta terça-feira, afirmou, vão ser consultadas sensivelmente 30 caixas de documentos do processo, “com algum espírito de sacrifício”.
Os interrogatórios deveriam ter começado às 14 horas desta segunda-feira, mas acabaram por ser adiados e, devido a uma greve dos funcionários judiciais às horas extraordinárias, as diligências foram interrompidas às 17 horas, segundo avançou fonte judicial à agência Lusa.
Depois de terem sido identificados na passada sexta-feira, no sábado os arguidos também estiveram no tribunal, mas os interrogatórios “não começaram formalmente”, de acordo com Paulo Sá e Cunha, advogado do presidente da Câmara do Funchal.
Em declarações aos jornalistas nesse dia, Paulo Sá e Cunha explicou que foram completados “determinados elementos de prova que ainda não estavam disponíveis no processo”.
Na sequência deste processo, Pedro Calado decidiu renunciar ao cargo de presidente da Câmara do Funchal, que formalizou hoje, porque “entendeu que era a conduta adequada face às circunstâncias que está a atravessar”, revelou ainda no sábado o advogado do autarca.
Segundo fonte judicial, o processo foi distribuído ao juiz Jorge Bernardes de Melo, do Tribunal Central de Instrução Criminal, e os arguidos e os advogados tiveram na sexta-feira acesso aos factos em causa e aos elementos de prova sobre o caso desencadeado pela Polícia Judiciária (PJ) e pelo Ministério Público (MP).
Ainda de acordo com fonte judicial, o inquérito vai começar pelo empresário Custódio Correia, que é o principal acionista do grupo ligado à construção civil Socicorreia, seguindo-se Avelino Farinha, líder do grupo de construção AFA, e, por último, o presidente da Câmara do Funchal.
Foram os três detidos na quarta-feira, na sequência de cerca de 130 buscas domiciliárias e não domiciliárias efetuadas pela PJ sobretudo na Madeira, mas também nos Açores e em várias zonas do continente.
A operação também atingiu o presidente do Governo Regional (PSD/CDS-PP), Miguel Albuquerque, que foi constituído arguido e oficializou hoje a renúncia ao cargo, que tinha anunciado na sexta-feira.
Em causa estão suspeitas de corrupção ativa e passiva, participação económica em negócio, prevaricação, recebimento ou oferta indevidos de vantagem, abuso de poderes e tráfico de influência, segundo a PJ.














