Inquérito: Satisfação com médicos de família aumenta, mas tempos de espera continuam a agravar-se

e acordo com um inquérito exclusivo da DECO PROteste, divulgado esta terça-feira, Dia Mundial do Doente, os utentes avaliam o seu médico de família com 8 pontos em 10 possíveis, mas o tempo de espera para consulta tem-se agravado, com 30% das marcações a ultrapassarem os dois meses.

Pedro Zagacho Gonçalves

A satisfação dos portugueses com os cuidados de saúde prestados pelos médicos de família tem vindo a aumentar nos últimos 25 anos, mas os tempos de espera para consulta continuam a ser um desafio significativo. De acordo com um inquérito exclusivo da DECO PROteste, divulgado esta terça-feira, Dia Mundial do Doente, os utentes avaliam o seu médico de família com 8 pontos em 10 possíveis, mas o tempo de espera para consulta tem-se agravado, com 30% das marcações a ultrapassarem os dois meses.

O estudo foi realizado entre junho e julho de 2024 e contou com mais de 6 mil participantes. Os dados indicam que mais de metade das consultas não urgentes exigem uma espera de pelo menos um mês, um aumento face a 2019, quando apenas 31% das consultas demoravam mais de um mês a ser realizadas.

Dificuldade no acesso leva mais utentes às urgências

A demora no acesso ao médico de família está a refletir-se numa maior procura pelas urgências hospitalares. Apenas 34% dos inquiridos recorreram à linha SNS 24 antes de se dirigirem ao hospital, enquanto 64% optaram por procurar diretamente os serviços de urgência.

Entre os motivos apontados para essa escolha, destacam-se:

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  • 46% referiram a falta de consultas de urgência nos centros de saúde;
  • 30% indicaram que o centro de saúde estava fechado;
  • 24% justificaram com o horário reduzido de funcionamento.

O tempo médio de triagem nas urgências hospitalares é de 14 minutos, mas o tempo total até à alta hospitalar ronda três horas e 45 minutos.

16% da população sem médico de família

Outro dado preocupante revelado pelo inquérito da DECO PROteste é que 16% dos portugueses continuam sem médico de família, um valor que está em linha com as estatísticas oficiais. A falta de acesso a consultas regulares nos cuidados de saúde primários pode comprometer a prevenção de doenças e sobrecarregar ainda mais os serviços hospitalares.

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Diferenças regionais na satisfação com os centros de saúde

A satisfação com os médicos de família varia consoante o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES). As zonas onde os utentes estão mais satisfeitos incluem:

  • Grande Porto V – Porto Ocidental
  • Cávado I – Braga
  • Matosinhos

Por outro lado, os ACES com menor satisfação foram:

  • Lezíria (Santarém e região)
  • Arrábida (Setúbal e região)
  • Arco Ribeirinho (Alcochete, Barreiro, Moita e Montijo)
  • Guarda
  • Sintra
  • Baixo Alentejo
  • Alto Trás-os-Montes I – Nordeste
  • Pinhal Litoral (Leiria e região)

A avaliação global dos centros de saúde é de apenas 6,4 pontos, refletindo o impacto negativo dos tempos de espera prolongados e da dificuldade de acesso a consultas.

A DECO PROteste defende que é fundamental reforçar o investimento na saúde para garantir que todos os cidadãos tenham acesso a cuidados primários, independentemente da sua condição económica.

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Para Nuno Figueiredo, porta-voz da área da Saúde da associação de defesa do consumidor, “a concretização de estratégias que garantam o acesso a cuidados de saúde primários a todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, é fundamental, assim como é essencial o reforço do investimento na saúde, nomeadamente em programas de prevenção”.

O especialista criticou ainda a posição de Portugal nos indicadores da OCDE relacionados com a prevenção, lembrando que o país ocupa a quarta pior posição entre os Estados-membros. Além disso, destacou a necessidade de valorização dos profissionais de saúde, reforço dos recursos humanos e implementação de modelos de trabalho em equipa para melhorar o sistema de saúde.

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