Inflação leva Portugal e congéneres europeus para uma “guerra de alimentos”. O que estão a fazer os governos para travar esta escalada?

A inflação levou os países europeus a adotarem um conjunto de medidas para travar a subida descontrolada dos preços dos alimentos. Desde cortes nos impostos, passando pela criação de um teto nos preços até uma fiscalização mais rígida, a “guerra de alimentos” parece estar longe de terminar.

André Manuel Mendes
Abril 3, 2023
9:35

A inflação levou os países europeus a adotarem um conjunto de medidas para travar a subida descontrolada dos preços dos alimentos. Desde cortes nos impostos, passando pela criação de um teto nos preços até uma fiscalização mais rígida, a “guerra de alimentos” parece estar longe de terminar.

Apesar de os números da inflação já estarem a baixar, a pressão alta sobre o preços dos alimentos mantém-se firme, levando os Governos a impor um conjunto de medidas que evitem o empobrecimento da população, bem como o descontentamento social e a frustração com as entidades.

Dados da semana passada mostraram que a inflação na Zona Euro caiu para 6,9% em março. Em França, por exemplo, desacelerou para 6,6%, mas os preços dos alimentos aceleraram para cerca de 16%. É uma história semelhante na Alemanha, onde a inflação de alimentos está acima de 20%.

Em algumas partes da Zona Euro, os preços dos alimentos estão a subir a um ritmo sem precedentes na história do pós-guerra, de acordo com o economista sénior do Grupo Rabobank, Maartje Wijffelaars, contactado pela ‘Bloomberg’.

Isto está a levar os Governos a adotar medidas para conter o ritmo dos aumentos. Portugal eliminou os impostos sobre itens essenciais, enquanto a França pressionou os supermercados a reduzir as margens e a Suécia intensificou a fiscalização dos retalhistas.

“A inflação de alimentos é realmente prejudicial e, especialmente, com as eleições a chegar, deixa as pessoas muito irritadas”, diz Angel Talavera, chefe de economia europeia da Oxford Economics.

 

Corte de impostos

Em Portugal, onde os preços dos alimentos estão a subir mais de 20% em relação ao ano anterior, o executivo liderado por António Costa anunciou uma redução temporária do IVA num cabaz básico de produtos. É o último país a tomar tal medida, depois da Polónia ou Espanha.

Em Espanha, as medidas fiscais abrangeram alimentos básicos como pão e azeite. Mas não foram suficientes para conter o aumento implacável dos preços, o que está a pressionar o Primeiro-Ministro Pedro Sanchez para fazer mais.

Já a Polónia pretende manter o IVA zero até ao primeiro semestre deste ano e pode estendê-lo ainda mais. O governo da Itália está a analisar os impostos sobre produtos básicos como a massa, o pão e o leite.

 

Limites de preço

 

A Hungria, por exemplo, introduziu limites no início de 2022, mas a inflação dos preços dos alimentos acelerou para quase 50%.

Este limite significava que os retalhistas tinham que vender certos produtos com prejuízo, mas para compensar eles aumentavam os preços de outros produtos. Os retalhistas chegaram a racionar alimentos básicos, como batatas, na véspera do Natal, criando escassez para os consumidores.

 

Pressão no retalho

Em França, o Governo de Emmanuel Macron negociou um acordo com os supermercados que permite colocar um conjunto de produtos com preços reduzidos (com as cores da bandeira nacional), o que pode representar um impacto nas margens das empresas de centenas de milhões de euros.

Já em Portugal, o Governo continua em negociações com produtores e retalhistas para baixar os preços dos alimentos. A CEO da Sonae, Cláudia Azevedo, disse que a cadeia estava disposta a aceitar margens de lucro mais baixas para absorver alguns dos aumentos que obrigaram os clientes a cortar nas despesas.

 

Maior fiscalização

As redes de supermercados em Portugal têm sido alvo de inspeções de preços por parte da ASAE, e Espanha iniciou reuniões mensais com lojas, empresas de transporte e produtores de alimentos para garantir que os cortes de impostos se traduzam em preços mais baixos para os consumidores.

Na Suécia, por exemplo, os supermercados têm enfrentado maior escrutínio depois de os dados mostrarem que os preços dos alimentos estão a subir ao ritmo mais rápido desde o início dos anos 1950.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.