Inflação galopante: Mais de 20 mil famílias pedem ajuda à DECO para conseguirem pagar despesas do mês

As famílias que recorrem à DECO têm, em média, cinco prestações de crédito: crédito habitação, dois créditos pessoais e dois cartões de crédito.

Pedro Zagacho Gonçalves

Desde o início de 2022 que já mais de 20 mil famílias portuguesas pediram ajuda à DECO por não terem possibilidade de enfrentar o pagamento das habituais despesas mensais. Segundo a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, no mês de setembro já havia famílias de classe média que não conseguiam pagar os créditos à habitação feitos.

Com a inflação galopante, fruto da crise desencadeada com a Guerra na Ucrânia, o custo de vida tem aumentado para todas as famílias e os ordenados vão ‘encolhendo’ e acabando cada vez mais cedo, obrigando os portugueses a ‘apertar o cinto’ e a duplicarem a ‘ginástica’ feita para que consigam pagar as despesas habituais e tenham o suficiente para pagar os créditos no fim do mês.

À SIC, Natália Antunes, da DECO, explica que “é a prestação da casa que já está a fazer aumentar o risco de incumprimento”, salientando que, até então eram as famílias de rendimentos mais baixos as que sentiam maiores dificuldades.

O paradigma dá sinais de mudar. As contas da DECO apontavam que, até setembro, os pedidos de ajuda chegam de quem ganhava, em média, 1100 euros por mês. Após fazer as compras dos bens essenciais e pagar as prestações dos créditos o saldo final ficava no negativo: -121 euros. Agora, começam a chegar à DECO pedidos de ajuda por parte de famílias com rendimentos perto dos 1500 euros mensais, que estão no limite do sobre-endividamento e com uma taxa de esforço perto de 70% (o dobro da recomendada de 35%).

As famílias que pedem ajuda à DECO têm, em média, cinco prestações de crédito: crédito habitação, dois créditos pessoais e dois cartões de crédito.

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A perspetiva é que o número de pedidos de ajuda continue a aumentar, perante a incerteza de uma eventual estabilização das economias mundiais, do fim da guerra da Ucrânia ou da continuidade do crescimento da inflação.

A título de exemplo, se até setembro desde ano a DECO recebeu mais de 20 mil pedidos de ajuda, no ano de 2021 o total de pedidos que chegaram à associação ficou perto dos 30 mil.

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