O processo de renovação da frota do INEM vai prolongar-se até 2027. Das 275 novas viaturas previstas, 198 deverão ser entregues ainda este ano, enquanto as restantes 77 só chegarão no próximo ano, mais de três anos depois de ter sido autorizada a renovação dos veículos de emergência.
Segundo o Público, as primeiras 30 viaturas já chegaram a Portugal e encontram-se em oficinas para receberem a imagem e a caracterização do INEM. Este primeiro lote inclui 22 viaturas médicas de emergência e reanimação, as chamadas VMER, e oito motociclos de emergência médica.
As primeiras VMER destinam-se a substituir algumas das viaturas mais antigas e desgastadas da frota, incluindo veículos atualmente imobilizados por avaria e que têm sido temporariamente substituídos por carros alugados.
Mais 118 viaturas chegam até ao final do ano
Há ainda 118 veículos em transporte para Portugal. De acordo com o Público, este conjunto inclui 63 VMER e 55 ambulâncias, que ainda terão de passar pelos processos de transformação e adaptação antes de entrarem ao serviço.
O INEM prevê que estas viaturas sejam entregues de forma gradual até ao final de 2026.
Os restantes 127 veículos também deverão chegar progressivamente, mas parte desse lote só ficará operacional em 2027, depois dos trabalhos necessários de adaptação.
No total, o instituto deverá receber em 2026 um conjunto de 198 veículos: 71 VMER, 109 ambulâncias, oito motociclos, oito viaturas destinadas a unidades móveis de intervenção psicológica de emergência e dois veículos de transporte.
Para 2027 ficam previstas mais 77 entregas, entre 14 VMER, 54 ambulâncias, três motociclos, duas UMIPE e quatro veículos de transporte.
INEM recorreu a carros de aluguer
O atraso na renovação da frota tem tido consequências diretas na operação dos meios de socorro. Algumas VMER têm mais de dez anos e há casos de viaturas com cerca de 20 anos, sujeitas a avarias frequentes.
Para colmatar estas falhas, o INEM recorreu recentemente a empresas de aluguer de automóveis.
Num primeiro contrato, feito por ajuste direto, estava previsto um valor máximo de cinco mil euros. Em 20 dos 30 dias do último mês foi necessário recorrer ao serviço de rent a car, com dias em que foi alugado apenas um veículo e outros em que foram necessários seis.
A solução revelou-se insuficiente perante o calendário faseado de chegada dos novos meios.
Novo contrato de aluguer chega aos 704 mil euros
Em julho, o INEM lançou um novo concurso público para prolongar o regime de aluguer durante pelo menos um ano.
O contrato, no valor de 704 mil euros, destina-se ao aluguer de viaturas para equipas de emergência médica durante um período de 24 meses e à aquisição e instalação de equipamentos necessários à operacionalização desses veículos.
Um dos lotes prevê o aluguer de 15 SUV por cerca de 477 mil euros. O outro contempla 17 conjuntos de equipamentos para veículos de emergência médica, num valor de 227,8 mil euros.
Processo atravessou três governos
A renovação da frota começou formalmente em novembro de 2023, quando o Governo de António Costa autorizou a despesa necessária.
Depois da queda do executivo, o processo foi reprogramado em agosto de 2024, já durante o primeiro Governo de Luís Montenegro. O pedido para abertura do concurso seguiu para a Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública em outubro desse ano, mas o procedimento só avançou nove meses depois.
Segundo o Público, o relatório final do concurso foi aprovado em janeiro de 2026. Nessa altura, o primeiro-ministro classificou o investimento como o maior do género da última década.
O valor global ascende a 16,8 milhões de euros e foi apresentado como uma resposta a um problema antigo de degradação da frota.
Pandemia travou renovação anterior
Antes deste processo, o INEM já tinha iniciado uma renovação dos meios de emergência, mas o plano foi interrompido durante a pandemia.
Nesse período, o instituto transferiu cerca de 80 milhões de euros das suas reservas financeiras para várias entidades do setor da saúde, no âmbito da resposta à covid-19, além de outros 10 milhões de euros de saldos de gerência.
A redução dessa reserva financeira acabou por impedir a continuidade da renovação da frota, segundo explicou anteriormente Luís Meira, antigo presidente do INEM.
O responsável afirmou que, se o processo tivesse prosseguido como inicialmente previsto, a frota das ambulâncias dos bombeiros e do próprio INEM poderia ter sido renovada já em 2021.














