O sistema de pensões da Islândia voltou a liderar a lista do Índice Mundial de Pensões 2022 do Mercer CFA Institute. O país nórdico teve o maior valor global do Índice (84,7), seguida de perto pelos Países Baixos (84,6) e Dinamarca (82,0). A Tailândia teve a pontuação mais baixa do Índice (41,7).
O Índice Mundial de Pensões recorre a um sistema de média ponderada para medir os indicadores de Adequação, Sustentabilidade e Integridade de cada sistema de pensões face aos mais de 50 indicadores.

Para cada indicador, os sistemas com os valores mais altos foram a Islândia em Adequação (85,8) e Sustentabilidade (83,8), e Finlândia em Integridade (93,3). Os sistemas com os valores mais baixos nos indicadores foram a Índia em Adequação (37,6), Áustria em Sustentabilidade (22,7) e Filipinas em Integridade (30,0).
Em comparação com 2021, o México apresentou os níveis de melhoria mais elevados, resultado das reformas de pensões, o que melhorou os resultados para os indivíduos e a regulamentação de pensões.
Portugal integra o ranking pela primeira vez e, em 44 países, surge em 24º lugar, com pontuação de global de 62,8, ligeiramente abaixo do valor médio (63,03). Em termos de Adequação, obteve 84,9 pontos, e 73,9 pontos no indicador de Integridade. A prestação menos positiva foi no indicador de Sustentabilidade, onde pontuou 29,7, tornando-se o 6º país com a pontuação mais baixa.
O Presidente & CEO na CFA Society Portugal, Marcos Soares Ribeiro, explicou: “O mercado dos fundos de pensões tem enfrentado significativos desafios nos anos recentes, destacando-se, em particular, o período de taxas de juro atipicamente baixas que marcou a última década. Depois de um período tão longo é normal que o novo regime económico de elevada inflação e taxas de juro em rápido crescimento tenha o seu impacto na indústria, um impacto que chega tanto por via das responsabilidades, como por via dos ativos.”
Marcos Soares Ribeiro acrescentou ainda “já do lado do aforrador ou beneficiário, destaca-se o evidente desequilíbrio dos sistemas de segurança social como o português perante a expectável evolução demográfica. Num país com baixo nível de poupança para a reforma, a redução da taxa de substituição deverá representar um desafio muito relevante a enfrentar nas próximas décadas”.
A Mercer e o CFA Institute lançam a 14ª edição anual do Índice Mundial de Pensões 2022 (MCGPI), um estudo que abrange 44 sistemas de pensões, representando 65% da população mundial, que integra pela primeira vez a análise ao sistema de pensões de Portugal. O estudo aponta que à medida que mais empresas se afastam dos planos de benefício definido (DB) e aproximam-se dos planos de contribuição definida (CD), essa opção leva os indivíduos a assumirem os riscos e oportunidades antes e durante a reforma. Diversificar as economias para a reforma com soluções de poupança individual afigura-se um caminho para reduzir a incerteza dos reformados.
Ao contrário dos planos DB, em que um indivíduo recebe pagamentos regulares de remuneração vitalícia ao se reformar, os planos DC, por norma, disponibilizam aos indivíduos um benefício de montante fixo na reforma. Além disso, muitos governos estão a considerar reduzir o seu nível de apoio financeiro durante a reforma para garantir a sustentabilidade financeira do país a longo-prazo.
O resultado é que muitos indivíduos não vão poder contar mais com um apoio financeiro relevante por parte dos seus antigos empregadores e/ou do governo durante os seus anos de reforma. Portanto, é essencial que as pessoas tomem as melhores decisões financeiras para a reforma, de forma a maximizar o valor dos seus ativos de pensão por CD disponíveis. Tal como a diversificação é uma parte fundamental de qualquer estratégia de investimento, as pessoas também podem procurar diversificar as suas economias para a reforma, entre pensão regular, proteção adequada e acesso ao capital, bem como diferentes fontes de apoio financeiro, incluindo governo, pensões privadas e poupança individual.
“As famílias terão de considerar qual é o equilíbrio certo entre receber uma remuneração estável, acesso a algum capital e proteção contra riscos futuros, dadas as muitas incertezas que os reformados enfrentam”, referiu David Knox, Senior Partner na Mercer e autor-líder do estudo.
“É fundamental que entendamos se os sistemas de rendimentos na reforma em todo o mundo serão capazes de atender às necessidades e expetativas das suas comunidades durante as próximas décadas”, continuou. “Não existe uma resposta única ou perfeita – o melhor sistema é aquele que ajuda as pessoas a manterem os seus estilos de vida pré-reforma. Governos, empresas, decisores políticos e o setor das pensões devem usar todo um leque de produtos e políticas disponíveis para que os indivíduos possam reformar-se com dignidade, confiança e segurança financeira”, acrescentou David Knox.
Cristina Duarte, Principal de Wealth da Mercer em Portugal destaca a importância de políticas de pensões fortes à luz da crescente incerteza externa. “As pessoas têm vindo a assumir mais responsabilidade pelas suas poupanças para a reforma há algum tempo; em pleno período de elevados níveis de inflação, taxas de juros crescentes e maior incerteza sobre as condições económicas, as pessoas fazem-no num ambiente cada vez mais complexo e volátil. Apesar das diferenças nas influências sociais, políticas, históricas ou económicas entre os territórios, muitos destes desafios são universais. E embora as reformas necessárias possam levar tempo e uma ponderação cuidadosa, os decisores políticos devem fazer o máximo para garantir que os sistemas de pensões tenham os devidos apoios e sejam bem regulamentados”.



