Índia vai limitar exportações de açúcar. “Decisão deverá aumentar ainda mais as pressões sobre os preços”, alerta analista

A medida tem como objetivo assegurar a oferta interna e coloca o governo de Nova Deli na lista crescente de países da região asiática que tem procurado limitar o abastecimento dos mercados externos de bens alimentares, ao lado da Indonésia e da Malásia.

Espera-se que a nova medida seja anunciada nos próximos dias, informa a ‘Bloomberg, citando fontes não identificadas com conhecimento do assunto. A Índia, que é o segundo maior exportador de açúcar do mundo, atrás do Brasil, planeia definir um máximo de 10 milhões de toneladas de açúcar exportado. Com essa limitação, Nova Deli pretenderá garantir a oferta no mercado doméstico até a outubro, altura em que iniciará a nova temporada de produção desse bem alimentar. De acordo com comunicado do Ministério indiano do Comércio e Indústria, de abril de 2022, as exportações de açúcar da Índia ultrapassaram em 2021, pela primeira vez, a barreira das 10 milhões de toneladas.

A confirmar-se, esta medida, considerada por alguns observadores como sendo reflexo de uma postura protecionista por parte das autoridades indianas, deverá ser conhecida pouco mais de uma semana após a Índia ter anunciado a proibição das exportações de trigo, que fez disparar os preços desse cereal para os valores mais altos de sempre, nos 438,25 euros por tonelada.

Diz o mesmo órgão de comunicação social que essa é uma medida extrema por parte do governo indiano, apontando que o mercado interno conta com uma oferta abundante. O analista Henrique Tomé, da corretora financeira XTB, discorda. “Apesar de a produção ter atingido novos recordes, os inventários permanecem em níveis extremamente baixos devido ao excesso de exportação da commodity”. O especialista aponta à ‘Executive Digest’ que “as exportações completamente descontroladas conduzidas pelo país têm provocado uma escassez de açúcar no país”.

Espera-se, além disso, que, ao abrigo das novas regras, os exportadores enfrentem mais obstáculos burocráticos, o que poderá desincentivar a exportação e lesar ainda mais as cadeias de abastecimento internacionais. Segundo as informações divulgadas, quando o volume de exportação chegar às nove milhões de toneladas, os exportadores terão que requerer autorizações especiais para poderem comercializar a restante tonelada disponível.

Para Henrique Tomé, “esta decisão deverá aumentar ainda mais as pressões sobre os preços, sobretudo dos preços das exportações de açúcar provenientes não só da Índia, mas também dos restantes países produtores (e exportadores) de açúcar”. A pressão de aumento dos preços será ainda maior, considerando que “os últimos dados sobre a produção no Brasil mostraram uma redução na produção”, explica o analista.

O protecionismo tem marcado a atuação de vários países do sul e sudeste asiático que são produtores e exportadores fundamentais de bens alimentares para os mercados mundiais. É importante recordar que a Indonésia no final de abril suspendeu a exportação de óleo de palma, sendo o maior exportador mundial desse produto. Contudo, o governo de Jacarta anunciou na semana passada que esta segunda-feira, dia 23, as exportações seriam retomadas, embora os produtores se mantenham reticentes em voltar os níveis de exportações anteriores, visto não conhecerem ainda as novas regras que a Indonésia pretende implementar.

Também a Malásia, que tem procurado ocupar o lugar deixado pela Indonésia como maior exportador de óleo de palma, vai engrossar as fileiras do protecionismo na região sul e sudeste da Ásia, depois de ter anunciado que irá proibir as exportações de aves a partir de dia um de junho, sob a mesma justificação de assegurar a oferta a nível interno.

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