Portugal continua a destacar-se pela elevada proporção de território consumido por incêndios florestais em 2026. Até ao final de agosto, mais de 65 mil hectares foram destruídos pelas chamas, o equivalente a mais de 0,7% de todo o território nacional, colocando o país no primeiro lugar da União Europeia em percentagem de área ardida. Apesar de o valor estar bastante abaixo dos 254 mil hectares registados no mesmo período de 2025 e da média de cerca de 90 mil hectares por ano dos últimos dez anos, a comparação com os restantes países europeus mantém o cenário particularmente preocupante.
Os dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS) e do Sistema de Gestão de Informação de Incêndios Florestais (SGIFR), citados pela Rádio Renascença, apontam para 65.191 hectares de área ardida desde o início do ano, dos quais aproximadamente 15 mil hectares foram consumidos apenas durante agosto. Espanha, apesar de contabilizar uma área ardida muito superior, com cerca de 295 mil hectares, apresenta uma percentagem inferior face à dimensão do seu território: 0,58%. Itália surge em terceiro lugar neste indicador, com 103 mil hectares destruídos, correspondentes a 0,35% da sua área total.
Um dos dados mais relevantes diz respeito à origem dos incêndios. Cerca de 21 mil hectares ardidos em Portugal estão associados a incendiarismo, ou seja, a incêndios provocados deliberadamente, o que representa praticamente um em cada três hectares destruídos pelas chamas. O valor poderá ainda aumentar, uma vez que existem vários incêndios cuja causa permanece por determinar. A situação acompanha também um forte aumento das detenções relacionadas com incêndios florestais: até 15 de agosto, a GNR contabilizou 165 detenções, contra 42 no mesmo período de 2025.
Entre os incêndios associados a fogo posto está o de Valpaços, que destruiu mais de 11 mil hectares e se tornou o segundo maior incêndio do ano. Já o incêndio de Vouzela, que deflagrou no início de julho e consumiu quase 13 mil hectares, é o maior incêndio registado em 2026 e também está sob suspeita de ter tido origem criminosa. O alerta surgiu por volta das 03h00, circunstância que levou o então ministro da Administração Interna, Luís Neves, a admitir a possibilidade de mão criminosa: “Não é de noite que há condições para o surgimento de ignições e logo duas ignições por volta das 02h00, 03h00 da manhã.”
No total, Portugal registou 6.927 incêndios até ao final de agosto, mais do que os 6.474 contabilizados no mesmo período de 2025. Quanto à área destruída, 46% correspondem a mato, 45% a floresta e os restantes 9% a terrenos agrícolas. Embora os números globais de área ardida estejam abaixo dos níveis excecionalmente elevados do ano passado e da média da última década, a elevada percentagem de território afetado e o peso do fogo posto entre as causas identificadas mantêm os incêndios rurais como uma das principais preocupações do país.














