Incêndios em Portugal: Ministra fala ao País às 18h45 e Governo avalia prolongamento de estado de alerta

A Ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, vai falar ao país esta quinta-feira, às 18:45, para abordar a situação dos incêndios rurais que continuam a afetar várias regiões de Portugal, anunciou o gabinete da ministra.

Pedro Gonçalves
Agosto 14, 2025
15:57

O Governo está a avaliar a possibilidade de prolongar a situação de alerta devido ao risco de incêndio rural, atualmente decretada até ao final do dia desta sexta-feira. Segundo informação recolhida pela TSF, o Ministério da Administração Interna mantém contacto permanente com as autoridades de Proteção Civil para tomar uma decisão fundamentada sobre a medida.

Ministra da Administração Interna fará declaração sobre incêndios. Governante compara “quadro raro” aos incêndios de 2017
Numa nota enviada às redações, o gabinete da Ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, anunciou que a governante fará uma declaração esta quinta-feira, às 18h45, na sede nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, sobre a situação dos incêndios rurais no País.

Em entrevista à Renascença, Maria Lúcia Amaral sublinhou que para sexta-feira existe o “risco de tempestades secas e o risco dos chamados ventos convexos”, uma conjugação de fatores que, em 2017, foi “decisiva e determinante” para gerar “fogo incontrolável”, recordando a tragédia de Pedrógão Grande.

Portugal continental encontra-se em situação de alerta devido ao risco de incêndio rural desde 2 de agosto. Este ano, já arderam 63.247 hectares de áreas florestais, metade destes apenas nas últimas três semanas, e registaram-se 5.963 incêndios, principalmente nas regiões do Norte e Centro do país.

Segundo dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, baseado em imagens de satélite do programa europeu Copernicus, Portugal é o terceiro país da União Europeia com mais área ardida este ano, atrás de Espanha (148.205 hectares) e Roménia (123.816 hectares). A área ardida é nove vezes superior à registada no mesmo período do ano passado e representa a segunda maior desde 2017. De acordo com o ICNF, nas últimas 24 horas arderam mais de 11 mil hectares.

Situação nos grandes incêndios do País
No terreno, cerca de dois mil operacionais combatiam os quatro maiores incêndios ativos no País: Arganil, Sátão, Trancoso e Cinfães. Estes profissionais eram apoiados por 641 viaturas e 18 meios aéreos, de acordo com a ANEPC.

No concelho de Arganil, distrito de Coimbra, um incêndio iniciado na freguesia de Piódão alastrou aos municípios vizinhos de Oliveira do Hospital, Pampilhosa da Serra e Seia (Guarda), mobilizando quase 900 operacionais. Em Sátão, distrito de Viseu, estavam 488 operacionais, em Trancoso, distrito da Guarda, 458, e em Cinfães, distrito de Viseu, 164.

Risco de fenómenos semelhantes a 2017 motiva prolongamento da situação de alerta
Maria Lúcia Amaral explicou que “a situação atmosférica e climática se vai agravar muitíssimo no dia de amanhã, dia 15 de agosto”, com condições particularmente severas que incluem tempestades secas e ventos convexos. Estes foram os fatores “mais decisivos e determinantes” para os incêndios incontroláveis de 2017.

A ministra destacou que a situação de alerta permite um aumento do patrulhamento noturno, reduzindo o risco de novos focos de incêndio durante a noite. “Temos um quadro raro, que se repetiu apenas em 2003 e 2005: 22 dias consecutivos de onda de calor e de grandes incêndios que não deram tréguas”, disse, salientando a dedicação dos bombeiros portugueses, apesar do cansaço acumulado.

Quanto ao pedido de ajuda internacional, a ministra revelou que Portugal solicitou apoio à Espanha, mas os países vizinhos também enfrentam condições severas e não têm disponibilidade para enviar meios adicionais. “A Espanha nunca nos faltou, mas neste momento não consegue. A França, que normalmente tem toda a disponibilidade, também enfrenta situações domésticas graves”, explicou Maria Lúcia Amaral.

A governante enfatizou a necessidade de “tranquilidade e sossego” para tomar decisões políticas em momentos de elevada gravidade e admitiu compreender a preocupação dos autarcas quanto à proteção das suas próprias localidades. Garantiu ainda que o Governo está a fazer “tudo, mas tudo”, dentro das limitações de meios disponíveis, para enfrentar “um fenómeno natural de dimensões e proporções terríveis”.

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