Incêndios: o que fazer se encontrar chamas na estrada durante uma viagem de carro

Várias vítimas da tragédia morreram dentro de veículos, depois de tentarem escapar por rotas alternativas que acabaram por se transformar em armadilhas mortais

Francisco Laranjeira

O incêndio de Los Gallardos, em Almería, voltou a expor um risco que muitos condutores subestimam durante o verão: encontrar um incêndio florestal em plena viagem de carro. Várias vítimas da tragédia morreram dentro de veículos, depois de tentarem escapar por rotas alternativas que acabaram por se transformar em armadilhas mortais.

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Segundo o ’20 Minutos’, os serviços de emergência indicaram que o presidente da Câmara de Bédar organizou uma evacuação para retirar os moradores da localidade. No entanto, perante o avanço das chamas e o medo, algumas pessoas terão optado por outros caminhos, ficando cercadas pelo fogo.

A tragédia acontece numa altura em que as deslocações por estrada aumentam. O verão é, em Espanha, um dos períodos com maior volume de viagens, mas é também uma época marcada por risco elevado de incêndio em várias regiões. A combinação de calor, vegetação seca e vento pode transformar uma viagem normal numa situação de emergência em poucos minutos.

Perante um incêndio florestal, a primeira regra é não continuar a conduzir em direção às chamas. A recomendação da RACE, citada pelo ’20 Minutos’, é verificar sempre o estado das estradas antes de sair, sobretudo em zonas afetadas por incêndios ou com risco elevado. Se o condutor encontrar fogo no caminho, deve procurar imediatamente um local seguro.

A solução pode passar por inverter a marcha, quando isso for possível e seguro, ou dirigir-se à localidade mais próxima. Se não houver uma povoação acessível, deve procurar-se uma zona sem vegetação combustível, evitando áreas florestais, bermas com mato seco ou caminhos estreitos onde o veículo possa ficar bloqueado.

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Depois de chegar a um local mais seguro, é essencial contactar os serviços de emergência através do 112. O condutor deve manter o telemóvel carregado sempre que possível e, em viagens por zonas de risco, é aconselhável levar água e algum alimento, sobretudo em trajetos longos ou por áreas rurais.

Dentro do carro, há cuidados importantes. As janelas devem ficar fechadas e o ar condicionado deve ser desligado para reduzir a entrada de fumo no habitáculo. As luzes de emergência devem permanecer ligadas, para que outros condutores e equipas de socorro consigam identificar a localização do veículo.

Nos casos mais graves, em que seja necessário abandonar o carro devido à proximidade das chamas, a prioridade é proteger o corpo e as vias respiratórias. Deve cobrir-se o máximo possível da pele para reduzir o risco de queimaduras e tapar nariz e boca para limitar a inalação de fumo. A fuga deve ser feita sempre para longe do fogo e seguindo as indicações das autoridades no terreno.

Há também erros a evitar. Um deles é tentar chegar ao ponto mais alto da zona, pensando que isso dará maior visibilidade ou segurança. A RACE alerta que as chamas tendem a subir em direção a zonas mais elevadas, pelo que essa decisão pode aumentar o perigo.

Outro erro é estacionar junto a vegetação seca. Sempre que possível, o veículo deve ficar numa zona pavimentada ou sem material combustível nas proximidades. Áreas com mato, campos secos ou bermas cobertas de vegetação podem arder rapidamente e deixar o carro sem escapatória.

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A lição deixada por tragédias como a de Los Gallardos é clara: perante um incêndio florestal, improvisar uma fuga pode ser mais perigoso do que esperar instruções. O essencial é não avançar para as chamas, evitar caminhos desconhecidos, procurar zonas sem vegetação e contactar imediatamente as autoridades.

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