Incêndio em instalações petrolíferas na Arábia Saudita após ataques Huthis

Imagens das chamas nos depósitos da Aramco e de uma coluna de fumo que sobe centenas de metros foram visíveis em toda Jeddah enquanto decorriam treinos livres para o Grande Prémio da Arábia Saudita de Fórmula 1

Executive Digest com Lusa

Um grande incêndio deflagrou hoje numa instalação da Aramco na cidade saudita de Jeddah, segundo imagens captadas no local, com os rebeldes Huthis do Iémen a reivindicarem a responsabilidade por um ataque à petrolífera saudita naquela cidade.

As imagens das chamas nos depósitos da Aramco – a maior companhia do ramo do mundo em termos de reservas de crude e de produção – e de uma coluna de fumo que sobe centenas de metros e é visível em toda Jeddah, foram divulgados no Twitter por vários utilizadores, enquanto decorriam treinos livres para o Grande Prémio da Arábia Saudita de Fórmula 1.



A autoridades locais ainda não noticiaram o incêndio, mas um porta-voz militar Huthi, Yahya Sarea, disse numa mensagem televisiva que os rebeldes lançaram um ataque com mísseis contra “as instalações da Aramco em Jeddah e outras instalações vitais na capital do inimigo saudita, Riade”.

As instalações da companhia estatal saudita em Jeddah armazenam gasóleo, gasolina e outros combustíveis para uso na cidade, a segunda maior do reino, representando mais de um quarto de todo o armazenamento destes produtos na Arábia Saudita e também fornecendo combustível crucial para uma central regional de dessalinização.

A Arábia Saudita tinha anunciado antes ter intercetado hoje seis ‘drones’ lançados pelos rebeldes Huthis do Iémen, menos de uma semana após outra ação similar que atingiu instalações petrolíferas sauditas.

A aliança militar liderada por Riade que intervém no conflito iemenita detalhou que os aviões não tripulados (‘drones’) e com explosivos foram lançados de madrugada contra posições não especificadas do sul da Arábia Saudita, onde este país mantém uma fronteira com o Iémen, e “foram deliberadamente dirigidos contra objetivos civis e instalações energéticas”.

Esta nova vaga de ataques que os Huthis têm efetuado periodicamente contra objetivos no país vizinho em resposta à sua intervenção no Iémen ocorreu apenas cinco dias após outras operações semelhantes que atingiram sete instalações estratégicas, incluindo cinco de gás e de petróleo.

Na sequência destes ataques, que atingiram a produção de uma refinaria e provocaram um incêndio numa estação de distribuição petrolífera, Riade advertiu que estas ações poderiam afetar o seu fornecimento de petróleo.

Isto num momento em que os preços do crude registaram um importante aumento devido ao conflito na Ucrânia, e quando os países consumidores tentam pressionar a Arábia Saudita, o maior exportador mundial desta fonte de energia, e outros países do Golfo Pérsico, a aumentarem a sua produção.

O conflito no Iémen iniciou-se em 2014 após os Huthis, apoiados pelo Irão, se terem revoltado contra o Governo e assumido o controlo da capital Sanaa e de outras províncias do norte e oeste do país.

No ano seguinte, uma coligação militar liderada pela Arábia Saudita envolveu-se no conflito.

A ONU considera que esta guerra, que já causou mais de 100 mil mortos, sobretudo civis, provocou uma das piores crises humanitárias do mundo.

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