Impressão digital humana nas alterações climáticas «está em todo o lado», alerta estudo

A impressão digital humana nas alterações climáticas actuais «está em todo o lado, é inconfundível e vai tornar-se cada vez mais evidente nas próximas décadas», confirmou o Met Office, Serviço Meteorológico do Reino Unido, após 30 anos de estudo.

Simone Silva

A impressão digital humana nas alterações climáticas actuais «está em todo o lado, é inconfundível e vai tornar-se cada vez mais evidente nas próximas décadas», confirmou o Met Office, Serviço Meteorológico do Reino Unido, após 30 anos de estudo, citado pelo ‘The Guardian’.

As consequências da acção humana no mundo são muitas: as temperaturas globais aumentaram em meio grau, o gelo do Árctico derreteu em quase dois milhões de quilómetros quadrados, o nível do mar aumentou cerca de 10 centímetros e o dióxido de carbono na atmosfera registou uma subida de cerca de 17%, de acordo com números compilados pelo serviço, em exclusivo para o jornal britânico.

Projecções futuras sugerem que, em meados do século, um britânico de 60 anos provavelmente estará a viver num clima 1,2 graus mais quente do que na altura em que nasceu.

Peter Stott, professor e especialista do Hadley Center, que está na linha de frente global do controlo climático, refere: «O clima actual é completamente diferente do que tínhamos há 30 anos. Está totalmente fora dos limites da possibilidade de variação natural», afirmou.

Nas primeiras projecções do organismo, segundo Stott, os cientistas previram uma subida de 0,5 graus no Reino Unido entre 1990 e 2020, resultante das emissões de petróleo, gás e carvão, «e nós chegámos lá», referiu.

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Com novos recordes de calor a ser quebrados com frequência, o especialista considera que as temperaturas globais estão agora acima de qualquer nível nas medições do Met Office desde 1850. Também as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera são as maiores de sempre.

«Estamos a observar alterações climáticas sem precedentes», disse Stott, corroborando a visão do Met Office de que «a impressão digital humana está em todo o lado».

O especialista continua dizendo: «A realidade provou que o que dissemos há 20 ou 30 anos estava certo. Como cientistas, isto é justificação, mas, a  nível pessoal, esperava que seguíssemos uma trajectória de emissões diferente daquela que seguimos actualmente», disse Stott.

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«A principal preocupação é que agora estamos a assumir riscos a nível global, que não temos a completa noção do que representam. Não haverá vencedores das alterações climáticas se continuarmos assim. A evidência científica existe há algum tempo, está na hora de ser levada a sério», conclui.

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