Império lácteo Parmalat: a maior fraude da Europa?

Nos anos 60, com uma indústria forte e um crescimento económico à escala mundial, a Parmalat foi considerada um verdadeiro império. Mais tarde, a empresa de lacticínios criada por Calisto Tanzi, tornou-se, em 2003, na maior fraude europeia da história.

Ainda no século passado, Itália era um país (continua a sê-lo) associado ao bom gosto, glamour, moda, criatividade e inovação. A industria era forte, o crescimento económico de muitas empresas era brutal, os grandes empresários investiam muito dinheiro e tinham retorno. Calisto Tanzi foi um deles. Em 1961 deixou a universidade para assumir os negócios da família, após a morte súbita do pai. Com apenas 22 anos, decidiu entrar no mercado pasteurizado do leite, que na altura em Itália, dava os primeiros passos. Em 1963, fundou a Dietlat, que mais tarde se tornou na mundialmente conhecida Parmalat.

O lado visionário do empresário era inquestionável. Tomou duas decisões no início da empresa que foram a chave para o sucesso: o processo de pasteurização e o uso de recipientes tetrapak, de origem sueca, que facilitavam a conservação e o transporte do leite. A entrega era feita de porta a porta com camiões que carregavam o logotipo da empresa. O nome e a qualidade instalaram-se no mercado e, as suas estratégias, fizeram com que crescesse cerca de 50% ano após ano, explica o ‘El País’.

Pouco a pouco, e com quase nenhuma competição, a empresa de lacticínios, conquistou a península italiana, a Europa e mais tarde o mundo. “Queríamos que a Parmalat se tornasse na Coca-Cola do leite”, disse Domenico Barili, ex-CEO da empresa e colaborador da Dietalat desde a sua fundação. Na década de 70 e 80 não mais parou de crescer. Desta vez, mundialmente. Conseguiu ter presença em 30 países, onde acumulou quase 200 fábricas, e dar emprego a 37 mil pessoas. O lançamento de novos produtos como iogurtes, bolachas e cereais para o pequeno-almoço, foram alguns deles.

Com uma ascensão rápida e bem sucedida, Tanzi, decidiu começar a investir em outros setores. Teve um canal de TV, o Odeon, uma equipa de Fórmula 1, criou uma agência de viagens, o clube de futebol Parma, revela a mesma fonte.

Em 2003, passados 40 anos, o impensável aconteceu: o Ministério Público dá início a uma investigação por suposta fraude, e nessa mesma semana, descobre que a realidade é bem maior do que o imaginado. Calisto Tanzi, desaparecido desde o escândalo, é preso em 26 de dezembro, acusado de fraude, falência fraudulenta e especulação abusiva. Dá-se assim a queda daquele que foi considerado um dos maiores impérios do mundo.

O empresário Calisto Tanzi, foi condenado a 10 anos de prisão por fraude em primeira instância, e em 2011, o Tribunal de Apelação de Bolonha considerou-o culpado por manipulação de mercado, falência fraudulenta e outras acusações, sentenciando-o a 17 anos e 5 meses de prisão domiciliar. Morreu a 2 de janeiro, vítima de uma infeção pulmonar na sua casa em Parma enquanto cumpria a pena.

 

 

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