“Impedir um ataque custa 80 M€”: Zelensky diz que Rússia sobrecarrega as defesas aéreas da Ucrânia com grande volume de mísseis

Segundo Zelensky, a Rússia continua a expandir a produção de armas, obtendo componentes de empresas privadas e de países individuais. “Infelizmente, recebem componentes de parceiros e do setor privado. Mas a capacidade de produzir esses mísseis precisa ser reduzida – e isso ainda não acontece”, disse

Francisco Laranjeira
Janeiro 20, 2026
16:03

O desafio central da defesa aérea ucraniana não é a escassez de mísseis intercetores, mas o aumento exponencial do número de projéteis lançados pela Rússia, afirmou esta terça-feira o presidente Volodymyr Zelensky.

“Na minha opinião, não é que tenhamos menos mísseis de defesa aérea – é que os russos agora têm mais mísseis”, declarou Zelensky em conferência de imprensa online. O chefe de Estado sublinhou que, embora a Ucrânia tenha recebido sistemas adicionais de defesa, Moscovo intensificou os ataques, incluindo lançamentos de mísseis balísticos.

Segundo Zelensky, a Rússia continua a expandir a produção de armas, obtendo componentes de empresas privadas e de países individuais. “Infelizmente, recebem componentes de parceiros e do setor privado. Mas a capacidade de produzir esses mísseis precisa ser reduzida – e isso ainda não acontece”, disse.

O presidente ucraniano destacou que os intercetores PAC-3 dos sistemas Patriot permanecem como o único método eficaz para neutralizar mísseis balísticos, reforçando a necessidade urgente de fornecimento contínuo de armamento por parte dos aliados, especialmente dos Estados Unidos.

“Para que o programa PURL funcione e para que os parceiros nos ajudem a adquirir os mísseis necessários, a segurança dos ucranianos depende em grande medida da união entre os EUA e a Europa”, acrescentou Zelensky.

Custos e impacto dos ataques russos

O ataque combinado lançado por Moscovo na madrugada de terça-feira, 20 de janeiro, custou à Ucrânia pelo menos 80 milhões de euros, considerando apenas os intercetores utilizados. “Imaginem esse custo. E todos os dias fazemos tudo – e eu faço tudo – para garantir que recebamos os mísseis necessários e a proteção de que o nosso povo precisa”, afirmou o presidente.

Além dos mísseis, a Rússia aumentou significativamente a utilização de drones kamikaze Shahed. Em resposta, a Ucrânia expandiu a sua rede de drones intercetores e grupos móveis de fogo, desenvolvendo contramedidas mais eficazes. “Estamos a encontrar as ferramentas. Eventualmente, derrotaremos os Shaheds – precisamos fazer isso. Não podemos sobreviver sem isso”, reforçou Zelensky.

A chegada de um carregamento de mísseis um dia antes do ataque massivo permitiu à defesa aérea ucraniana neutralizar grande parte das ameaças. De acordo com a Força Aérea, a Rússia lançou um míssil Zircon, 18 mísseis balísticos, 15 mísseis de cruzeiro e 339 drones. Até às 10h da manhã, 342 alvos tinham sido abatidos ou neutralizados, enquanto vários projéteis atingiram alvos ou deixaram destroços.

Impacto nas cidades e na população

Kiev foi particularmente afetada, com mais de 5.600 edifícios altos sem aquecimento em temperaturas congelantes. Greves e cortes de energia foram registados nas regiões de Dnipro, Vinnytsia, Chornomorsk e outras áreas, deixando milhares de casas sem eletricidade. Um homem de 50 anos morreu em Bucha, enquanto duas mulheres ficaram feridas em Dnipro.

Andriy Kovalenko, chefe do Centro de Combate à Desinformação do Conselho de Segurança e Defesa Nacional, afirmou que o objetivo dos ataques é deixar Kiev sem eletricidade e aquecimento, alertando que a inação continuada incentivaria novas ofensivas, podendo replicar-se na Europa.

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