O Covid-19 pode custar mais de 280 mil milhões de euros por trimestre ao comércio internacional, em oportunidades de exportação, sendo a maior barreira às trocas de bens e serviços entre países durante 2020, estima a Euler Hermes, acionista da COSEC – Companhia de Seguro de Créditos. “Em apenas um trimestre, o Covid-19 já teve tanto impacto no comércio internacional como um ano inteiro de guerra comercial entre os Estados Unidos e a China”, sublinham os analistas.
Estimando que os custos globais desta pandemia para as exportações possam atingir, por trimestre, 280 mil milhões de euros (refletindo um abrandamento significativo da procura por parte da China e da Europa), importa ressalvar que a China é o país mais afetado, com perdas, neste período, de 168 mil milhões de euros. Segue-se a Itália, com 19 mil milhões de euros, e para os restantes países da Europa, o impacto nas oportunidades de exportação será na ordem dos 95 mil milhões de euros.
Nesta análise, destaca-se ainda o peso das medidas de contenção tomadas pelos países para impedir a disseminação do vírus, as quais já tiveram um impacto equivalente a um aumento de 0,7 pontos percentuais nas tarifas, que, no final do primeiro trimestre de 2020, deverão situar-se, em termos médios, nos 6,5%.
Os números apontam também para uma recessão comercial em termos de volume, tanto no primeiro trimestre (-2,5% face ao trimestre anterior), como no segundo (menos 1%).
Em termos globais, no setor dos serviços, a Euler Hermes prevê uma redução significativa de turistas da China, Itália e, de um modo geral, do continente europeu, a que vai somar-se um abrandamento significativo nos serviços de transporte. Nestes setores, as perdas em termos de oportunidades de exportação serão, respetivamente, e por trimestre, de 110 mil milhões de euros e 29 mil milhões de euros.
Apesar deste cenário – e tendo em conta as paragens de produção na China e em Itália e assumindo medidas de contenção limitadas noutros países –, a Euler Hermes estima uma retoma gradual da atividade comercial em março e abril, prevendo um regresso à normalidade até o final de maio e um crescimento médio anual na ordem dos 0,4%.













