A ilha paradisíaca de natureza intocada e praias arenosas sueca tem visto serem reforçadas as suas defesas militares, isto enquanto a Suécia pondera a sua adesão à NATO. O remoto destino de férias é um ponto estratégico importante no Mar Báltico – “aquele que se senta em Gotland controla grande parte do Mar Báltico”, apontam os especialistas.
Gotland tem sido um local de férias popular para muitos suecos, onde se podem encontrar assentamentos da era viking e formações rochosas icónicas. A ilha, com 170 quilómetros, atrai mais de 2 milhões de visitantes anuais que procuram desfrutar da paz e simplicidade da vida. Mas, há pouco mais de três décadas, o local de férias tem servido um propósito muito diferente.
Estrategicamente localizado a apenas 300 quilómetros da sede da Frota do Báltico da Rússia, atuou como um importante travão à expansão soviética. E à medida que crescem as tensões em torno da candidatura da Suécia à NATO, a nação escandinava está a reconstruir a sua presença militar em Gotland mais uma vez.
“Haverá mais soldados e mais atividade em Gotland”, explicou o coronel Magnus Frykvall, comandante do Batalhão de Gotland, em declarações reproduzidas na ‘Euronews’. “Temos de construir uma capacidade militar maior e melhor devido à situação atual.” É esperado que a Suécia revele nos próximos dias se vai pedir a sua integração na NATO, apesar das ameaças públicas da Rússia. Também a Finlândia já anunciou a sua candidatura.
A possível adesão à NATO é um passo histórico para as duas nações. A Suécia evitou alianças militares durante mais de 200 anos, ao passo que a Finlândia adotou a neutralidade depois da derrota com a União Soviética na II Guerra Mundial. Os avisos russos não demoraram – ainda esta semana, os responsáveis do Kremlin alertaram sobre as graves consequências se qualquer nação se juntar à aliança atlântica. Mas conforme a guerra de Putin na Ucrânia continua, muitos moradores de Gotland estão ansiosos para defender a sua nação a todo custo.
“As pessoas estão um pouco preocupadas mas estamos a tentar manter tudo calmo”, garantiu Camilla Selander, funcionária de balcão que se juntou à Guarda Nacional da ilha. “Conversamos sobre o que está a acontecer na Ucrânia mas apenas dizemos uns aos outros que vai ficar tudo bem.”
Na floresta perto de Visby, Camilla e os seus colegas voluntários disparam durante a prática de tiro ao alvo. Por enquanto, o campo de tiro continua a ser o único local militar ativo em Gotland, mas as memórias do passado combativo da ilha são claras para todos verem. “Mil ninhos de metralhadoras foram construídos no início da II Guerra Mundial”, apontou Lars-Ake Permerud, oficial do exército, já reformado. “Tínhamos defesas de metralhadoras e canhões por toda a ilha.”
Muitos desses artefatos estão agora expostos em museus militares e os militares reformados que cuidam das exposições estão bem cientes do significado estratégico de Gotland. “É um porta-aviões”, referiu Rutger Banholtz, ex-chefe da Guarda Nacional. “Aquele que se senta em Gotland controla grande parte do Mar Báltico.”
Embora a Suécia tenha dito que não acredita que a Rússia tenha planos de atacar Gotland, a invasão da Ucrânia por Putin forçou o país a repensar a sua política de segurança. A adesão à NATO, nesta fase, oferece segurança e promessas de proteção unilateral para todos os estados-membros.










