Igrejas recusam vacina contra a Covid-19 por usar células de abortos

O Governo australiano já manifestou a intenção de adquirir a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford University em parceria com a farmacêutica AstraZeneca.

Executive Digest

Um dos líderes religiosos mais antigos da Austrália afirmou que provavelmente boicotaria a vacina contra a Covid-19 que está a ser desenvolvida pela Universidade de Oxford, por motivos éticos.

O governo australiano assinou um acordo internacional que proporcionará a toda a população um acesso gratuito à vacina do Reino Unido, a que está a ser desenvolvida por cientistas de Oxford e pela empresa farmacêutica AstraZeneca, caso seja aprovada para uso.

Para o arcebispo anglicano de Sydney, Glenn Davies existem questões éticas sobre a potencial vacina, porque os cientistas usaram linhagens de células de um feto abortado. “Usar esse tecido para a ciência é repreensível”, frisou Davies em entrevista à televisão pública.

Davies sublinhou ainda que “teria que pensar muito seriamente” se receberia a vacina contra a Covid-19 se ela vier do trabalho que está a ser desenvolvido na Universidade de Oxford. “Dependeria da natureza do desenvolvimento de outras vacinas”, reforçou.

“Pelo que entendi, há muitos lugares pelo mundo fora em busca dessa vacina, e por isso tenho esperança de que haverá pressão sobre esses países para torná-la amplamente disponível. Portanto, não estou a colocar a escolha de Hobson [pegar ou largar] nesta fase”, detalhou ainda.

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No entanto, deixou clara a sua posição quando pressionado sobre se esperaria por uma segunda vacina, caso a primeira fosse da Universidade de Oxford; “Provavelmente sim, mas seria uma decisão pessoal e não uma decisão com a qual vincularia a consciência de ninguém”, ressalvou.

“Para mim, o mais acertado seria ter a certeza de que se a vacina for disponibilizada primeiro em Oxford que todos saibam sua génese e [que o governo] continue a procurar outros desenvolvimentos de vacinas que não sejam moralmente comprometidos e que que sejam mais facilmente disponibilizados à nossa população”, defendeu Davies.

O arcebispo não está sozinho nesta posição. As suas preocupações são partilhadas por líderes católicos e ortodoxos gregos, que escreveram uma carta conjunta ao primeiro-ministro Scott Morrison. Esta carta foi assinada por responsáveis como o arcebispo católico de Sydney, Anthony Fisher, o arcebispo da igreja ortodoxa grega na Austália, Makarios Griniezakis.

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Nesta missiva, os líderes alertam para o “problema ético” que pode surgir, já que a vacina, tal como muitas outras de utilização generalizada, utiliza no seu desenvolvimento linhas de células cultivadas a partir de fetos humanos abortados. O que entendem ser uma “mancha ética”.

Davies fez saber que ele e os seus pares, de outras igrejas, desejam que o primeiro-ministro seja mais transparente sobre a vacina da Universidade de Oxford e procure outras opções.

Assim, também o arcebispo católico de Sydney, Anthony Fisher, afirmou ao jornal ‘Catholic Weekly’ que não acreditava que seria antiético receber a vacina de Oxford se fosse a única opção, admitindo, ainda assim, estar “profundamente preocupado”.

 

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