A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde arquivou o processo relacionado com a morte de um recém-nascido, ocorrida depois de a mãe ter recorrido a cinco hospitais ao longo de 12 dias.
A IGAS concluiu que a morte, registada a 22 de junho de 2025, poderá ser enquadrada como um “acidente obstétrico súbito e imprevisível” e considerou que as unidades de saúde envolvidas cumpriram as regras aplicáveis.
De acordo com o Correio da Manhã, o caso envolveu Edmizalda Conceição, então com 37 anos, que passou pelas urgências dos hospitais de Setúbal, Barreiro, Almada, Cascais e, por fim, Santa Maria, em Lisboa.
Grávida recorreu a várias urgências nos dias anteriores ao parto
A 10 de junho, perto das 40 semanas de gestação, Edmizalda foi encaminhada pelo SNS24 para a Urgência de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Setúbal, devido a dores fortes.
Depois de realizar uma ecografia e uma cardiotocografia, teve alta e recebeu indicação para uma consulta de pré-parto no Hospital Garcia de Orta, em Almada.
Seis dias depois, dirigiu-se à urgência do Barreiro, onde os exames realizados não detetaram sinais de gravidade. A 19 de junho, foi observada no Hospital Garcia de Orta, mas a unidade não tinha vagas para indução do parto.
A grávida teve novamente alta, com indicação para contactar o SNS24 e ser encaminhada para um hospital com urgência aberta no dia 22.
No entanto, a 21 de junho, continuando com dores, voltou a ligar para o SNS24 e foi encaminhada para Cascais. Ficou medicada e sob vigilância, mas também não havia vagas para induzir o parto.
Parto foi induzido em Santa Maria
A mulher acabou por ser transferida para o Hospital de Santa Maria, onde a indução do parto começou pelas 17h00.
Segundo o Correio da Manhã, a IGAS refere que, durante a noite, a grávida entrou em trabalho de parto e manteve registos de cardiotocografia considerados normais.
Às 11h00 do dia seguinte, já se encontrava no período expulsivo. A equipa médica decidiu então avançar para uma cesariana.
Nos momentos finais do parto, ocorreu uma compressão aguda e imprevisível do cordão umbilical. O bebé nasceu com baixa oxigenação e batimentos cardíacos fracos.
Foram realizadas manobras de reanimação, mas o recém-nascido não resistiu.
IGAS iliba hospitais de responsabilidade
No processo de esclarecimento, a IGAS considerou que a morte resultou de um evento obstétrico súbito e imprevisível e não encontrou elementos que justificassem a responsabilização dos hospitais envolvidos.
O processo administrativo foi, por isso, arquivado.
O caso continua, contudo, a ser investigado pelo Ministério Público, que abriu um inquérito para apurar eventuais violações de deveres deontológicos e profissionais por parte da equipa clínica que interveio no parto no Hospital de Santa Maria.














