Huthis anunciam contagem decrescente para retomarem ataques a embarcações no mar Vermelho

O grupo militante Huthi, apoiado pelo Irão, declarou que começou a contagem decrescente para bloquear a navegação “sionista”, aumentando o risco de ataques a embarcações israelitas e norte-americanas no mar Vermelho e no golfo de Adem.

Pedro Gonçalves
Março 11, 2025
18:11

O grupo militante Huthi, apoiado pelo Irão, declarou que começou a contagem decrescente para bloquear a navegação “sionista”, aumentando o risco de ataques a embarcações israelitas e norte-americanas no mar Vermelho e no golfo de Adem.

A declaração surge num momento de tensão crescente na região, ignorando a recente redesignação do grupo como entidade terrorista pelos Estados Unidos e reforçando as ameaças de retomar ataques a Israel, caso a atual trégua em Gaza colapse.

Os ataques dos Huthis têm perturbado significativamente o tráfego marítimo no mar Vermelho, um dos corredores comerciais mais movimentados do mundo. O aumento das ameaças já levou várias companhias de navegação a desviar embarcações por rotas mais longas, aumentando os custos do transporte global.

Mohamed Ali al-Houthi, alto dirigente dos Ansar Allah (nome oficial dos Huthis), declarou na plataforma X: “Confirmamos a prontidão das operações navais do Iémen, cuja missão é enfrentar o cerco sionista-americano de fome e terrorismo contra Gaza.” Al-Houthi acrescentou que qualquer escalada seria da responsabilidade de Israel e dos Estados Unidos.

A declaração surge após um ultimato de quatro dias lançado na sexta-feira passada pelo líder dos Huthis, exigindo que Israel levante o bloqueio à entrada de ajuda humanitária em Gaza. Caso essa exigência não seja atendida, o grupo prometeu intensificar os ataques marítimos.

Histórico de ataques e reação internacional
Desde 2023, os Huthis lançaram mais de 100 ataques com mísseis e drones contra embarcações comerciais e navios militares no mar Vermelho e no golfo de Adem, segundo fontes oficiais norte-americanas. Muitos desses ataques foram direcionados a embarcações ligadas aos Estados Unidos e a seus aliados. Além disso, o grupo lançou mísseis e drones contra Israel, embora a maioria tenha sido intercetada.

Em dezembro, o ministro da Defesa de Israel advertiu que o país não toleraria ataques continuados com mísseis e drones contra o seu território e ameaçou retaliar diretamente contra os líderes dos Huthis no Iémen.

Nasruddin Amer, vice-chefe da Autoridade de Comunicação dos Huthis, escreveu na plataforma X: “Faltam apenas algumas horas para anunciarmos o fecho do mar à navegação sionista, caso os mediadores falhem em pressionar o inimigo sionista a cumprir o acordo e levantar o cerco a Gaza.”

Entretanto, os Estados Unidos reiteraram a sua posição firme contra as ações dos Huthis. Scott Bessent, Secretário do Tesouro dos EUA, afirmou: “Os Estados Unidos utilizarão todas as ferramentas disponíveis para interromper as atividades terroristas dos Huthis e reduzir a sua capacidade de ameaçar o nosso pessoal, os nossos parceiros regionais e o comércio marítimo global.”

Com a iminência do fim do prazo estabelecido pelos Huthis, o tráfego marítimo na região está em alerta máximo. Caso o bloqueio israelita à entrada de ajuda humanitária em Gaza continue, o grupo promete novas escaladas, incluindo o uso de mísseis balísticos contra Israel.

A comunidade internacional acompanha com atenção a evolução dos acontecimentos, temendo um agravamento das tensões que possa comprometer ainda mais a segurança na região e afetar o comércio global.

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