Hungria: UE exige 27 condições a Péter Magyar para desbloquear 35 mil milhões e apoio à Ucrânia

Um alto responsável europeu resume o momento: há um “mandato total para mudança”, mas também uma expectativa clara de reformas profundas. A mensagem é direta — se Budapeste cumprir, a UE desbloqueia os fundos

Francisco Laranjeira

A vitória expressiva de Péter Magyar nas eleições na Hungria abriu uma nova frente política na União Europeia, com Comissão Europeia a avançar para “negociações imediatas” com o futuro primeiro-ministro para desbloquear cerca de 35 mil milhões de euros congelados.

A informação, avançada pelo ‘Financial Times’, revela que Bruxelas quer resultados rápidos — e elevou a fasquia após a maioria constitucional alcançada por Magyar.

Um alto responsável europeu resume o momento: há um “mandato total para mudança”, mas também uma expectativa clara de reformas profundas. A mensagem é direta — se Budapeste cumprir, a UE desbloqueia os fundos.

27 condições e pressão sobre a Rússia e Ucrânia

Para aceder aos fundos, a Hungria terá de cumprir 27 condições, que passam por reformas anticorrupção, reforço da independência judicial e reversão de políticas da era de Viktor Orbán.

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Entre os sinais mais aguardados por Bruxelas está o desbloqueio de um empréstimo europeu de cerca de 90 mil milhões de euros para a Ucrânia, atualmente travado por Budapeste, bem como o fim do veto húngaro a novas sanções contra a Rússia.

Diplomatas europeus consideram estas decisões cruciais para perceber se Magyar pretende realmente reaproximar o país da União Europeia.

Milhões congelados e multas a acumular

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Dos 35 mil milhões de euros retidos, cerca de 18 mil milhões estão congelados por preocupações com o Estado de direito, corrupção e interferência política na justiça. Outros 17 mil milhões dizem respeito a financiamentos ligados à defesa.

Além disso, a Hungria enfrenta um braço-de-ferro com a justiça europeia que já custou cerca de 900 milhões de euros em multas, acumulando penalizações diárias devido ao incumprimento de decisões do Tribunal de Justiça da União Europeia, nomeadamente em matéria de asilo.

Bruxelas quer rapidez — mas teme repetir erros

Apesar da abertura ao diálogo, Bruxelas está cautelosa. A experiência com Donald Tusk em 2023 — quando fundos foram rapidamente desbloqueados — gerou complicações posteriores devido a entraves internos.

Agora, a Comissão quer garantias concretas antes de avançar.

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Ao mesmo tempo, existe preocupação com o período de transição: a Constituição húngara dá até 30 dias para a tomada de posse do novo Parlamento, janela que pode ser usada por Orbán para travar reformas de última hora.

Mudança de rumo na política externa

Magyar já prometeu reposicionar a Hungria como parceiro fiável na União Europeia e na NATO. Entre os primeiros passos estão visitas a Varsóvia e Viena — dois governos pró-europeus — e um possível encontro antecipado em Bruxelas.

Também Kiev já sinalizou abertura para contactos diretos, com o ministro ucraniano Andrii Sybiha a indicar que existem sinais para uma reunião entre Volodymyr Zelenskyy e o novo líder húngaro.

Europa vê oportunidade… mas exige provas

Após anos de tensão sob Orbán, Bruxelas vê na mudança política em Budapeste uma oportunidade para restaurar a unidade europeia — num momento crítico marcado pela guerra na Ucrânia e pela necessidade de decisões rápidas.

Mas o recado é claro: desta vez, a confiança dependerá da execução.

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