A Hungria pode deixar a UE e juntar-se à Rússia numa união que atenda aos seus interesses, salientou na passada segunda-feira um membro do Governo polaco: o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Wladyslaw Teofil Bartoszewski, respondeu desta forma a um discurso do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, no passado fim de semana, que acusou Varsóvia de ter adotado “a política mais enganosa” na Europa em relação à guerra russa na Ucrânia.
“Por que é que Orbán não forma uma união com Putin e alguns outros estados autoritários desse tipo? É que se não se quer sempre membro de um clube, pode-se sempre a sair. É certamente a política anti-UE, anti-ucraniana e anti-polaca de Orbán no momento”, salientou Bartoszewski.
Recorde-se que Polónia e Hungria estão em desacordo há muito tempo devido à guerra na Ucrânia, e a relações pioraram depois de o Governo centrista de Donald Tusk ter substituído o Executivo radical de direita do Lei e Justiça, em dezembro último.
Varsóvia é um dos maiores apoiantes de Kiev na UE e considera derrotar a Rússia a principal prioridade de segurança europeia, temendo que Moscovo, se prevalecer na Ucrânia, possa tornar-se uma ameaça direta à Polónia e aos outros estados-membros da UE, Lituânia, Letónia e Esténia.
Já a Hungria de Orbán tem-se oposto ao apoio da UE à Ucrânia, bloqueando ou atrasando os esforços do bloco para sancionar a Rússia e fornecer assistência militar ou financeira a Kiev. Budapeste também continua a importar quantidades substanciais de petróleo e gás russos.
Para Orbán, Varsóvia está “indiretamente a fazer negócios com os russos” e, ainda assim, “dá-nos um sermão moral para fazermos a mesma coisa”, salientou, durante uma visita à Roménia, sugerindo que a Polónia estava a seguir o seu “antigo plano” de se tornar o principal posto avançado dos Estados Unidos na Europa.














