Os detritos espaciais podem levar o mundo a sofrer uma situação que está sob alerta desde as décadas de 1960 e 1970: o chamado síndrome de Kessler, que avisou que se o número de satélites e detritos espaciais aumentar, uma colisão entre eles pode desencadear um efeito dominó.
Este fenómeno, garantiram os especialistas, pode durar centenas de anos e impossibilitar o lançamento de satélites em órbita, ameaçando a viabilidade das estações espaciais, bem como o lançamento de foguetões ao espaço, cada vez mais popular entre os milionários.
O primeiro alerta desta possibilidade foi feito em 1978, quando os investigadores da NASA, Donald J. Kessler e Burton Cour-Palais, analisaram os restos de dois foguetões espaciais. Atualmente, segundo alguns cientistas, já entrámos na primeira fase da síndrome de Kessler.
De acordo com Darren McKnight, investigador técnico sénior da empresa de análise de detritos espaciais LeoLabs, esta primeira fase é marcada pelo aparecimento de avarias e anomalias em sistemas de satélites, estações espaciais e foguetões que seriam geradas por pequenas colisões de fragmentos de detritos espaciais.
“Em cerca de 50-100 anos, se continuarmos nesse ritmo, a síndrome de Kessler vai tornar-se uma realidade. Acabaremos com tanto lixo espacial que lançar um satélite não será mais viável. A órbita baixa da Terra será inutilizável”, explicou John. C. Crassidis, colaborador da NASA e investigador do Departamento de Engenharia Aeroespacial da Universidade de Buffalo (Estados Unidos).




