Human Rights Watch acusa China de ameaçar os direitos humanos

Pequim está em destaque na edição de 2020 do relatório anual da Human Rights Watch. Para a organização internacional não-governamental, a China é uma ameaça ao «sistema internacional de direitos humanos».

Executive Digest

Pequim está em destaque na edição de 2020 do relatório anual da Human Rights Watch. Para a organização internacional não-governamental, a China é uma ameaça ao «sistema internacional de direitos humanos».

No 30.º relatório anual da organização divulgado na terça-feira, relativo ao período compreendido entre o final de 2018 e Novembro de 2019, a China é acusada de «construir um estado de vigilância tecnológica Orwelliano» e um «sofisticado sistema de censura na Internet» para suprimir as críticas. Já no estrangeiro, utiliza a força económica para «silenciar críticos», a sua «voz», influência» e, por vezes, o veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A ameaça de despedimento feita pela companhia aérea de Hong Kong Cathay Pacific aos funcionários que participassem em manifestações pró-democracia, o comportamento de responsáveis de marcas como a Volkswagen e a cadeia de hotéis Marriott, assim como a remoção digital de uma bandeira do filme “Top Gun” são alguns dos exemplos citados.

O director executivo da organização pelos direitos humanos, Kenneth Roth, refere que esta ofensiva de Pequim é a mais intensa contra os direitos humanos desde meados do século passado.«Se não forem contrariadas, as acções de Pequim pressagiam um futuro distópico em que ninguém está fora do alcance dos censores chineses, e com um sistema internacional de direitos humanos tão enfraquecido que já não servirá como contrapeso para a repressão governamental», escreve. 

O documento sublinha também que o Governo do país é liderado há décadas pelo Partido Comunista, sob um sistema unipartidário, que «nunca foi eleito e não representa o povo».

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Também não poupa críticas ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e ao Presidente da Índia, Narenda Modi. Líderes como estes reprimem «o mesmo corpo internacional de defesa dos direitos humanos que a China está a minar, galvanizando os seus públicos com lutas imaginárias com os ‘globalistas’, que se atrevem a sugerir que os governos mundiais se devem reger por princípios idênticos.»

Nem mesmo o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, escapa ao rol de críticas. Guterres é criticado por não ter exigido publicamente que a China ponha fim à «detenção em massa de povos túrquicos», numa referência ao conflito de Xinjiang, no extremo-oeste da China, em que participam grupos separatistas uigures.

Já Portugal não é analisado no documento, onde são abordados mais de 100 países. Tem apenas três notas de rodapé: duas relativas ao passado colonizador do país em Angola e uma terceira sobre uma resolução do Parlamento Europeu que recomendava aos Estados-membros que fosse banida a prática de cirurgias «normalizadoras» em crianças intersexo. Portugal «tomou alguns passos» para banir esta «prática discriminatória» em 2018, com a aprovação de uma lei da identidade de género, sublinha.

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