Hotelaria regressa mas precisa que lay-off continue. Prejuízos no semestre podem chegar aos 90%

Quanto à evolução para o restante ano, os empresários dão alguns sinais de otimismo mas as reservas são tímidas. Portugal, Espanha, Reino Unido, são os países que mais suportam esta procura.

Sónia Bexiga

A hotelaria em Portugal prepara-se para reabrir parcialmente as suas portas, e 98% dos empresários considera que são precisas mais medidas de apoio específicas para o turismo, destacando a necessidade de o regime de lay-off continuar, existirem mais medidas de apoio fiscal, apoio à compra de equipamento de proteção individual e terem acesso a financiamentos a fundo perdido.

A abertura, da hotelaria, já em junho, deverá rondar os 70% “mas com uma capacidade muito reduzida”, segundo apurou a AHP – Associação da Hotelaria de Portugal na 3.ª fase do inquérito “Impacto da Covid-19 na Hotelaria”, realizado entre 15 e 29 de maio, divulgado esta quinta-feira.

À luz do balanço feiro junto dos hoteleiros apurou ainda que 40% das empresas recorreram ao financiamento da Linha de 900 milhões, que atribuiria um máximo de 1,5 milhão por empresa, sendo que esta linha já esgotou.

Contudo, recorrer ao financiamento não foi a primeira decisão dos empresários, “porque havia tesouraria já que o setor vinha de uma fase de crescimento e consolidação e ficaram com margem para enfrentar esta fase”, sublinhou Cristina Siza Vieira, presidente executiva da AHP.

Assim, segundo a AHP,  a primeira medida para os empresários foi recorrer ao lay-off pelo período máximo de três meses, sendo que 12% das empresas colocaram todos os colaboradores em lay-off, porque o primeiro custo fixo é o pagamento de vencimentos. Cerca de 99% não recorreu a despedimento, 36% não renovou contratos, 25% dispensaram em período experimental.

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Quanto à evolução para o restante ano, os empresários dão alguns sinais de otimismo mas as reservas são tímidas. Portugal, Espanha, Reino Unido, são os países que mais suportam esta procura que chega com reservas lideradas pelas plataformas online Booking e Experia, mas os sites próprios (dos hoteis) estão a ganhar terreno

Contornando eventuais especulações, Cristina Siza Vieira afirmou que em matéria de preços “não vai haver saldos, como houve em maio, mantendo-se os preços que podem ainda assim ser ajustados para preços inferiores até 20%”, assegurando que certamente se vão realizar promoções e campanhas, considerando que estas “são de facto ferramentas mais saudáveis e que serão aditadas tendo em atenção os portugueses que também estão muito pressionados”, reforçou.

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