Hospitais do SNS com blocos operatórios em falta são obrigados a gastar milhões de euros nos privados

Devido às longas listas de espera e falta de instalações e equipamentos suficientes, há vários hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) a verem-se obrigados a abrir concursos, para poderem recorrer ao uso de blocos operatórios de hospitais privados e de misericórdias.

Revista de Imprensa

Devido às longas listas de espera e falta de instalações e equipamentos suficientes, há vários hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) a verem-se obrigados a abrir concursos, para poderem recorrer ao uso de blocos operatórios de hospitais privados e de misericórdias.

Um dos casos é o do Hospital de Braga que, segundo o Jornal de Notícias, nos últimos dois anos realizou 19200 cirurgias no privado, com médicos desta unidade de saúde. Esta solução temporária, enquanto se aguarda que o Governo aprove um novo edifício de cirurgia de ambulatório para o Hospital de Braga, custou quase 14 milhões de euros (13,7).

O valor inclui também despesas com equipamentos, enfermagem, medicamentos, assistentes operacionais e hotelaria, segundo o hospital.

Outro caso é o do Hospital de Gaia, que recorreu a esta opção pela primeira vez no ano passado, para fazer artroplastias totais da anca e do joelho. Foram submetidos ao procedimento 183 doentes, num custo total de 439 mil euros. Também o Hospital de São João, no Porto, já recorreu a esta modalidade em 2022, sendo que haverá outros hospitais a ponderar esta hipótese.

Segundo o Conselho de Administração do Hospital de Braga, as 13 salas de operações, duas apenas para urgência não são suficientes, ainda que aquela unidade de saúde tenha apenas 12 anos.

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O Hospital de Braga, no recurso à modalidade de operações feitas nos blocos dos privados, já deslocou médicos para os hospitais do grupo Trofa, mas também para as misericórdias de Felgueiras, Póvoa de Lanhoso, Vila Verde e Riba d’Ave, com o objetivo de reduzir as listas de espera. A adesão dos doentes é grande, cerca de 80%, ao contrário dos vales-cirurgia, que são rejeitados pela maioria dos pacientes.

O Hospital de Braga deixou de ser uma parceria público-privada em 2019 e, até 2022, a atividade cirúrgica tinha aumentado 41%. No entanto ficou uma grande lista de espera herdada. EM 2019 havia já 19 mil doentes à espera de cirurgia, hoje são perto de 12 mil.

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