«Hospitais à beira do colapso» em Itália. Comunidade científica denuncia drama em carta aberta

Várias associações italianas escreveram uma carta aberta na qual denunciam o cenário vivido em Itália, onde os hospitais estão «à beira do colapso», numa «situação hospitalar dramática devido à pandemia da Covid-19».

Simone Silva

Com o objetivo de denunciar o cenário que está a ser vivido em Itália, com os hospitais «à beira do colapso», um grupo de associações científicas italianas escreveram uma carta aberta, na qual expõem a «situação hospitalar dramática devido à pandemia da Covid-19».

Como subscritores do documento estão as Sociedades Científicas FADOI, SIMI, SIGG e SIGOT, e a associação de enfermeiras de medicina interna, ANÌMO.

«Os hospitais estão agora à beira do colapso, devido a dois fatores principais: falta de pessoal de saúde e falta de camas em face do fluxo anormal de pacientes devido à disseminação rápida e estonteante da infeção viral», pode ler-se no documento.

Os responsáveis referem que «em muitas regiões as taxas de ocupação dos departamentos médicos já estão acima de 100%, considerando também a presença de pacientes não Covid, que continuamos a atender», ainda que de forma mais reduzida, dizem.

Para os subscritores, será quase «certa a impossibilidade de garantir padrões de qualidade no atendimento a todos os pacientes crónicos e não portadores de Covid-19, bem como outros problemas críticos e atrasos no campo da prevenção».

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Na carta, é sublinhada a «situação sanitária dramática», onde os profissionais de saúde atendem «mais de 70% dos doentes Covid internados em hospitais, garantindo todos os tratamentos, numa tentativa de retirar o paciente da intubação ou morte», afirmam acrescentando: «Sentimos o dever de conscientizar sobre a real situação em que vivemos todos os dias nos hospitais».

«Todos os dias, grandes dificuldades para acolher, tratar e transferir os muitos doentes que chegam  em número superior à capacidade recetiva das nossas estruturas», afirmam. «Não adianta subestimar, menosprezar, fingir que a situação é quase normal», acrescentam fazendo um apelo a um «maior empenho na divulgação de informações que aumentem a consciência dos cidadãos».

Os responsáveis apelam também a outras sociedades científicas para que «partilhem as nossas preocupações e nos ajudem a lidar com a grave emergência de saúde em todo o país, apoiando o trabalho de todas as operadoras do SNS», concluem.

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