Horta Osório enfrenta dura crise à frente do Credit Suisse

Crise financeira nos bancos persegue o economista português. Há 10 anos, entrava no Lloyds para reverter a situação do banco britânico. Agora prepara-se para assumir a crise da entidade suíça.

Executive Digest

Os inícios nunca são fáceis e que o diga António Horta Osório, que se prepara para assumir a presidência de um dos maiores bancos do mundo, o Credit Suisse, já em maio. A última vez que o economista português começou um novo trabalho, em 2011, no Lloyds, o banco britânico estava a ser intervencionado pelo Estado devido à crise financeira que atravessava. 10 anos depois, o desafio persegue-o e Horta Osório não terá um início facilitado à frente do banco suíço.

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“Devemos sempre tentar enfrentar novos desafios. Caso contrário, começamos a decair”, disse Horta Osório em entrevista à Bloomberg TV, esta segunda-feira, a dias de substituir Urs Rohner à frente do Credit Suisse.

O banqueiro português ingressou no Lloyds, como CEO, em 2011, quando a instituição estava intervencionada pelo Estado devido à crise financeira. Ao longo da sua gestão, Horta Osório cortou milhares de empregos e milhões em custos, encerrou balcões no exterior e trouxe, por fim, o lucro ao banco. Sob a sua liderança, o banco britânico voltou a ser um banco privado em 2017.

Desafio Suíço

Horta Osório chega agora à Suíça numa crise de confiança, avança a agência Bloomberg. O Credit Suisse teve, no mês passado, uma quebra de 4,4 mil milhões de francos suíços, ou seja, cerca de quatro mil milhões de euros, ainda agravada pelas suas negociações com a Archegos Capital Management, semanas após a implosão da Greensill Capital. Os dividendos foram cortados e as recompras de ações suspensas. E, segundo a Bloomberg, os analistas preveem ainda mais perdas e potenciais multas.

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Horta Osório “é exatamente o que o Credit Suisse precisa”, disse David Herro, da Harris Associates, que detém ações do Lloyds e do Credit Suisse há mais de 10 anos, à agência norte-americana. “Ele sempre cumpriu as suas promessas e liderou nos pormenores”, referiu Herro. Em Zurique, ele deve concentrar-se em se retirar dos negócios de alto risco e baixo retorno, mantendo o talento e controlando custos e riscos, disse Herro à Bloomberg.

O papel do economista português no Credit Suisse é, por isso, determinante, agora mais do que nunca, a que acresce a reputação de ser o primeiro banqueiro não suíço a ocupar o cargo de Chairman da instituição.

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