Horta Osório. A vida, a carreira e os novos desafios do “super” banqueiro português

Metódico na organização do tempo, coleccionador de arte e fã do tenista Rafael Nadal, Horta Osório terá de usar a tenacidade do atleta espanhol para estar à altura dos desafios que se colocam ao Credit Suisse, um dos maiores bancos do mundo.

António Sarmento

António Horta Osório adora ter sucesso. No dia em que fez 30 anos, partiu o pulso numa partida de ténis e o médico disse-lhe que talvez nunca mais pudesse voltar a jogar. O banqueiro não desistiu. Aprendeu sozinho a escrever e a jogar ténis com a mão esquerda, recusando-se a ficar parado. Uma perseverança que já vem dos tempos de estudante, altura em refazia sempre os exames para melhorar nota, ainda que tivesse tido uma pontuação alta. “Acho que a vida é uma maratona e resiliência é uma das características mais importantes”, afirmou numa entrevista ao The Guardian. Licenciado em Gestão e Administração de Empresas pela Universidade Católica foi o melhor aluno nesse ano de 1987.

Além destas características, também a exigência é uma das imagens de marca, não só para si como para os colaboradores mais diretos – por exemplo, no tempo do Santander fazia questão de visitar as centenas de agências espalhadas pelo país e apontar todas as falhas que detectava, o que deixava os gerentes dos balcões em “pânico”.

Horta-Osório iniciou a carreira no Citibank em 1987 na área de mercado de capitais, trabalhou depois na Goldman Sachs em Nova Iorque e em Londres em Corporate Finance e em 1993 criou o Banco Santander de Negócios Portugal. Em 1996 iniciou as atividades de retalho do Santander no Brasil com a aquisição e posterior fusão de dois bancos locais. Um dos pontos mais importantes da sua carreira foi o acordo entre António Champalimaud, Santander e CGD que levou à criação do Santander Totta em 2000.

Mais tarde, em 2006, Horta Osório parte para Londres, para assumir a presidência executiva do Abbey National, um banco adquirido pelo Santander. O seu percurso ascendente leva-o a ser convidado para ocupar o cargo de administrador não executivo do Banco de Inglaterra, a título pessoal, desde Junho de 2009. Foi também aqui que foi vítima de um episódio de “burn-out”, admitindo que “o processo de recuperação converteu-se numa cura de humildade”.

DESAFIOS

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Agora, após 28 anos a desempenhar funções executivas na banca, como CEO (presidente da comissão executiva), primeiro no Santander e depois no Lloyds Bank, o gestor português será, a partir de maio, chairman (presidente do conselho de administração) do Credit Suisse, onde terá funções não executivas em full time. Porém, a sua saída do Lloyds Bank só se efetivará depois de completado o terceiro plano estratégico desenhado para o banco para o período 2018-2020, cujo anúncio dos resultados ao mercado ocorrerá quando Horta Osório termina um período de 10 anos à frente daquela instituição financeira, refere fonte próxima do gestor, citada pela agência Lusa.

Horta Osório deixa o Lloyds como o maior banco digital do Reino Unido, com mais de 16 milhões de clientes digitais, e o único com uma plataforma integrada de produtos financeiros incluindo produtos bancários e de seguros, tendo ainda a maior base acionista do país, com mais de 2,4 milhões de acionistas.

Aos 56 anos, dá assim um novo salto na carreira, numa época turbulenta. Vai chegar à sede do Credit Suisse, uma entidade com uma abordagem diferente, mas com grandes desafios pela frente. Nos últimos meses, o mercado tem apontado para uma fusão desta entidade com o seu rival direto, o também suíço UBS, embora alguns analistas considerem que esta operação tem poucas perspectivas de concretização.

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Assim, terá que enfrentar, como já fez no passado, um setor financeiro com pouca rentabilidade, a volatilidade dos mercados financeiros, e uma economia mundial afectada pela pandemia. Metódico na organização do tempo, coleccionador de arte e fã do tenista Rafael Nadal, Horta Osório terá de usar a tenacidade do atleta espanhol para estar à altura dos desafios que se colocam a um dos maiores bancos do mundo.

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