Hoje há reunião no Infarmed. Marcelo, Costa, partidos (e não só) ouvem especialistas

O chefe de Estado, o primeiro-ministro, o presidente da Assembleia da República e líderes partidários reúnem-se esta terça-feira com especialistas para avaliar a situação da covid-19 em Portugal.

Simone Silva

O chefe de Estado, o primeiro-ministro, o presidente da Assembleia da República e líderes partidários reúnem-se esta terça-feira com especialistas para avaliar a situação da covid-19 em Portugal, numa altura em que decorre o plano de desconfinamento em Portugal.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

Segundo um comunicado do ministério da saúde, esta18.ª reunião sobre a “situação epidemiológica da covid-19 em Portugal” decorrerá a partir das 10h00, no Auditório do Infarmed, mais concretamente no Parque de Saúde de Lisboa, como habitualmente. Nas reuniões do Infarmed participam também dirigentes das centrais sindicais e confederações patronais e os membros do Conselho de Estado.

Nas últimas sessões, as intervenções iniciais dos especialistas têm sido transmitidas na Internet através das redes sociais do Governo, o que está previsto que aconteça novamente esta terça-feira. A segunda parte, realiza-se à porta fechada, como de costume. A última aconteceu no passado dia 8 de março.

Portugal ainda dentro dos critérios de risco mas com Rt a subir 

Portugal encontra-se dentro dos parâmetros definidos como «ideais» para desconfinar, ainda assim o índice de transmissão, o chamado Rt, tem registado uma tendência crescente nos últimos dias, segundo dados da Direção Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Ricardo Jorge (INSA).

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

De acordo com o primeiro-ministro, António Costa, Portugal tem de registar uma incidência abaixo dos 120 casos a 14 dias por 200 mil habitantes, bem como um Índice de transmissibilidade (o chamado Rt) menor do que 1, para que seja possível o desconfinamento.

Ambos os critérios são, para já, cumpridos, o que faz com que o país se fixe na zona verde na matriz de risco, onde é recomendável desconfinar. Atualmente Portugal regista uma incidência de 81,2 casos por 100 mil habitantes e ainda um Rt de 0,89, o que representa uma subida face à última atualização (0,86).

Adicionalmente, foi também atualizado o mapa dos municípios, onde constam 48 concelhos com mais de 120 novos casos por 100 mil habitantes, ou seja, acima do limiar que o Governo definiu para o desconfinamento.

Desconfinamento começou a 15 de março. Recorde o plano

Segundo o que ficou estipulado pelo Governo, o plano de desconfinamento teve início no passado dia 15 de março, com a reabertura das creches, estabelecimentos do pré-escolar e escolas do primeiro ciclo. Para além disso abriu também o comércio ao postigo; cabeleireiros, manicures e similares; livrarias, comércio automóvel e mediação imobiliária e as bibliotecas e arquivos.

Continue a ler após a publicidade

A próxima fase, se tudo correr como previsto, será a 5 de abril, altura em que reabrem as escolas do 2.º e 3.º ciclos e ATLs para as mesmas idades; equipamentos sociais na área da deficiência; museus, monumentos, palácios, galerias de arte e similares; lojas até 200 metros quadrados com porta para a rua; feiras e mercados não alimentares (por decisão municipal); esplanadas (máximo quatro pessoas); modalidades desportivas de baixo risco e atividade física ao ar livre até 4 pessoas e ginásios sem aulas de grupo.

No dia 19 de abril, regressa o ensino secundário e superior, reabrem cinemas, teatros, auditórios, salas de espetáculos, mas também Lojas do Cidadão com atendimento presencial por marcação; todas as lojas e centros comerciais; restaurantes, cafés e pastelarias (máximo quatro pessoas ou seis em esplanadas), até às 22h ou 13h ao fim-de-semana e feriados; modalidades desportivas de médio risco; atividades físicas ao ar livre até 6 pessoas e ginásios sem aulas de grupo; eventos exteriores com diminuição de lotação e casamentos batizados com 25% de lotação.

Por último, a 3 de maio, arranca a última fase do plano com a abertura de restaurantes, cafés e pastelarias (máximo de seis pessoas ou 10 em esplanadas) sem limite de horário; o regresso de todas as modalidades desportivas; atividade física ao ar livre e ginásios; grandes eventos exteriores e eventos interiores com diminuição de lotação e casamentos e batizados com 50% de lotação.

O que os especialistas recomendaram na última reunião do Infarmed

Raquel Duarte, professora e ex-secretária de Estado da Saúde, apresentou na última reunião do Infarmed, uma «proposta de plano para a redução das medidas restritivas», realizada em conjunto com outros peritos.

Continue a ler após a publicidade

«O nosso objetivo foi priorizar as medidas de forma a refletir os critérios epidemiológicos mas também os impactos sociais económicos e mentais», fazendo com que as medidas «com maiores custos sociais e económicos e menor efeito na carga da doença pudessem ser consideradas», explicou.

Assim, a responsável revelou que a proposta teve por base três dimensões, assentes sobretudo na evidência física disponível, experiência acumulada e recetividade dos beneficiários. Para além destas, a estratégia teve também em conta cinco níveis de risco.

Desta forma, segundo Raquel Duarte, todos os concelhos devem abrir com medidas de nível quatro, faseadas, mas com alguma estabilidade para toda a população. A manutenção, depois, no nível dois, por duas semanas irá permitir passar para o nível um. Até ao nível dois deve haver restrições de horários de funcionamento.

Níveis de risco definidos para analisar o plano de desconfinamento (três mais baixos são os recomendáveis). 

(5) 240 casos por 100 mil habitantes – elevado
(4) 120 – alto
(3) 60 – médio
(2) 30 – baixo
(1) 0 – muito baixo

A nível local: 
960 infetados por 100 mil habitantes – risco extremamente elevado
480 – muito elevado
240 – elevado

Continue a ler após a publicidade
Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.