O Conselho Nacional do Partido Social Democrata (PSD) vai reunir-se esta quinta-feira, para votar oficialmente o apoio à candidatura presidencial de Luís Marques Mendes, naquele que será um momento decisivo na estratégia política do partido rumo às eleições presidenciais de janeiro de 2026. A reunião coincide com a apresentação pública da candidatura do almirante Henrique Gouveia e Melo, marcada para o mesmo dia, poucas horas antes, em Lisboa.
A convocatória oficial, publicada no Povo Livre — o jornal do partido — detalha os três pontos principais da ordem de trabalhos: uma “análise da situação política”, a “apresentação, discussão e votação do Relatório de Gestão e Contas de 2024” e, finalmente, o “apoio a candidatura a Presidente da República”. Apesar de o nome do candidato não constar formalmente na convocatória, o presidente do PSD, Luís Montenegro, e outros dirigentes sociais-democratas já manifestaram publicamente a intenção de apoiar Marques Mendes, antigo líder do partido.
A reunião está marcada para as 21h00 no FIL Meeting Centre, no Parque das Nações, em Lisboa, e deverá consagrar a candidatura de Marques Mendes como a escolha oficial do PSD para Belém. A proposta deverá ser votada pelos membros do Conselho Nacional, o órgão máximo do partido entre congressos.
O momento político ganha particular intensidade por coincidir com a entrada em cena de outro nome de peso: o almirante Henrique Gouveia e Melo. O ex-Chefe do Estado-Maior da Armada e rosto da operação de vacinação contra a covid-19 vai apresentar oficialmente a sua candidatura às 19h00 desta quinta-feira, na Gare Marítima de Alcântara, também em Lisboa.
A confirmação da sua candidatura foi feita no passado dia 14 de maio, em plena campanha para as legislativas, em declarações à Rádio Renascença. “Serei candidato à Presidência da República em janeiro de 2026”, afirmou na altura, assumindo a vontade de se lançar numa corrida onde pretende posicionar-se como figura independente, alheia às estruturas partidárias tradicionais.
O apoio a Marques Mendes surge num momento em que o PSD procura consolidar a sua liderança política, depois da vitória da Aliança Democrática (PSD/CDS-PP) nas eleições legislativas de 18 de maio. A coligação obteve 32,47% dos votos e conquistou 89 deputados — 87 do PSD e dois do CDS-PP — num total de 230 assentos na Assembleia da República. Apesar de vencer sem maioria absoluta, Luís Montenegro assumiu funções como primeiro-ministro, reforçando a influência social-democrata no atual ciclo político.
Segundo os dados provisórios da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, o Partido Socialista (PS) foi a segunda força mais votada, com 23,38% dos votos e 58 deputados. O Chega, que alcançou 22,56% nas urnas, conquistou igualmente 58 mandatos parlamentares. A Iniciativa Liberal surge em quarto lugar, com 5,53% e nove deputados, seguida do Livre, com 4,2% e seis eleitos.
Com este panorama político em transformação, o apoio oficial do PSD a Marques Mendes pode ser interpretado como uma tentativa de manter a presidência da República sob influência do centro-direita, numa altura em que a fragmentação parlamentar e a ascensão de candidaturas independentes introduzem novos equilíbrios de poder.
A reunião do Conselho Nacional desta quinta-feira poderá, assim, marcar o arranque formal da corrida presidencial no campo da direita, traçando uma linha de separação clara entre o candidato do partido e outras figuras emergentes no espectro político nacional.














