A partir desta quarta-feira, os EUA impõem tarifas que afetam dois triliões de euros em exportações, intensificando a guerra comercial.
“Durante décadas, fomos roubados e abusados por todas as nações do mundo, tanto amigas como inimigas”, indicou o presidente americano num post no ‘Truth Social’. “Agora é finalmente a hora dos bons e velhos EUA receberem um pouco desse dinheiro e respeito de volta.”
Segundo o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent’, a “2 de abril, iremos produzir uma lista de tarifas de outros países” com a expectativa que possam reverter as suas. Caso contrário, “iremos erguer o muro tarifário para proteger a nossa economia, proteger os nossos trabalhadores e proteger as nossas indústrias”.
As novas tarifas comerciais, que podem chegar a 20%, vão atingir um vasto conjunto de países, colocando em risco cerca de dois triliões de euros em exportações anuais, de acordo com as contas do ‘elEconomista’. A medida, descrita por especialistas como sem precedentes, tem gerado grande apreensão nos mercados globais.
As consequências desta decisão já estão a ser analisadas por diversas instituições internacionais, incluindo a Comissão Europeia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Segundo um relatório da Comissão Europeia, a relação comercial entre a União Europeia e os EUA é “a mais extensa e intensa do mundo”, e qualquer perturbação pode desencadear uma crise de grandes proporções.
De acordo com o Instituto Bruegel, um think tank sediado em Bruxelas, a nova vaga de tarifas poderá ter um impacto comparável ao da Grande Depressão do século XX. Durante o primeiro mandato de Trump, entre 2018 e 2019, as tarifas comerciais atingiram cerca de 400 mil milhões de euros em exportações. Agora, os analistas alertam para um cenário ainda mais grave, com um potencial impacto cinco vezes maior.
As tarifas propostas por Trump incluem o conceito de “reciprocidade”, onde os EUA imporão taxas sobre importações na mesma proporção das tarifas cobradas sobre os seus produtos. No entanto, informações divulgadas pela imprensa americana, incluindo no The Wall Street Journal e na Bloomberg, sugerem que as medidas poderão ser ainda mais severas, com uma taxa fixa de 20% aplicada indiscriminadamente a determinados países.
A administração Trump tem destacado um grupo de países que supostamente aplicam práticas comerciais injustas contra os EUA. Este grupo, que inclui diversas economias europeias, poderá ver as suas exportações fortemente penalizadas com a nova política comercial americana. Além disso, fontes indicam que esta lista negra poderá ser expandida, agravando ainda mais a tensão diplomática e económica.
A justificação da Casa Branca para esta escalada protecionista não se limita à questão da concorrência desleal. O governo argumenta que a aplicação de tarifas generalizadas simplificaria os procedimentos alfandegários, evitando a criação de um sistema regulatório extremamente complexo.
A decisão de Washington já está a provocar reações nos mercados internacionais. A Europa, por exemplo, tem registado oscilações nas suas principais bolsas, com uma queda generalizada dos índices. Além disso, o mercado de petróleo está sob pressão, uma vez que as novas tarifas podem impactar diretamente as exportações de crude da Rússia, Venezuela e Irão.
A medida também afeta diretamente empresas europeias, como a Repsol, cuja licença para exportação de petróleo da Venezuela foi revogada. O receio é que a política tarifária de Trump possa desencadear uma retaliação global, dificultando ainda mais o cenário económico internacional.
Com esta nova ofensiva comercial, o mundo aguarda agora a reação das principais economias afetadas, incluindo a União Europeia e a China, que poderão responder com medidas semelhantes.




