O céu desta terça-feira reserva um dos fenómenos astronómicos mais impressionantes de 2026. Após o pôr do sol, os planetas Venus e Júpiter vão atingir a sua menor separação aparente vista da Terra, protagonizando aquilo que muitos astrónomos descrevem como um verdadeiro “beijo cósmico” e uma das imagens mais marcantes do ano para os amantes da observação celeste.
Segundo explicou Rafael Bachiller, diretor do Observatório Astronómico Nacional de Espanha, trata-se possivelmente da mais bela conjunção planetária de 2026. “Possivelmente será a conjunção planetária mais bela do ano”, afirmou o responsável, destacando a raridade e o impacto visual do fenómeno.
Apesar de parecerem extremamente próximos no céu, Venus e Júpiter continuam separados por enormes distâncias no espaço. A proximidade observada é apenas uma ilusão de perspetiva criada pela posição relativa dos dois planetas em relação à Terra.
De acordo com Bachiller, ao anoitecer desta terça-feira os dois astros apresentarão uma separação angular de apenas um grau e meio, equivalente a cerca de três vezes o diâmetro aparente da Lua cheia. “Estão em linhas de visão muito próximas, mas Júpiter encontra-se atualmente cinco vezes mais distante da Terra do que Venus”, explicou.
Fenómeno poderá ser observado sem telescópio
Uma das características mais apelativas desta conjunção é o facto de poder ser observada a olho nu, sem necessidade de telescópios ou equipamentos especializados.
Bastará procurar um local com boa visibilidade para o horizonte oeste e aguardar cerca de uma hora e meia após o pôr do sol. A NASA refere que, desde que as condições meteorológicas sejam favoráveis e o céu esteja limpo, qualquer pessoa poderá apreciar o fenómeno.
“Convém olhar para o céu, em direção ao oeste, uma hora e meia depois do pôr do sol. Nesse momento, com o céu bem limpo de nuvens e sem obstáculos no horizonte, poderemos ver também o esquivo e pequeno Mercúrio”, indicou Rafael Bachiller.
Mercúrio será, contudo, mais difícil de localizar devido à sua menor altitude e brilho reduzido quando comparado com Venus e Júpiter.
Quem dispuser de binóculos poderá apreciar melhor os detalhes da conjunção, embora não sejam indispensáveis. O fenómeno também constitui uma excelente oportunidade para fotografia astronómica, especialmente em locais com horizontes amplos e desobstruídos.
Conjunção acontece na constelação de Gémeos
A beleza do fenómeno será reforçada pelo enquadramento estelar onde ocorrerá.
A conjunção terá lugar na constelação de Gémeos, nas proximidades das estrelas Castor e Pólux, duas das mais conhecidas do céu noturno.
“A conjunção tem lugar na constelação de Gémeos, perto das estrelas Castor e Pólux, também muito brilhantes, embora não tanto quanto os planetas”, explicou Bachiller.
A aproximação entre Venus e Júpiter já vinha sendo visível desde a semana passada, mas é esta terça-feira que o fenómeno atinge o seu ponto máximo. Nos dias seguintes, os dois planetas continuarão a ser observáveis, embora a distância aparente entre ambos comece gradualmente a aumentar.
Espetáculo continuará nos próximos dias
O encontro entre Venus e Júpiter não será o único destaque astronómico desta semana.
O diretor do Observatório Astronómico Nacional antecipou que os próximos dias poderão oferecer imagens ainda mais impressionantes, beneficiando da aproximação da fase de Lua Nova, prevista para 15 de junho.
Segundo o especialista, essa fase proporcionará uma noite particularmente escura e “perfeita para a observação do céu”.
Logo depois, a Lua crescente juntar-se-á ao espetáculo. “Viveremos outra conjunção muito especial quando o fino crescente lunar vier visitar os dois planetas”, adiantou.
Nos dias 16 e 17 de junho será possível observar uma rara conjunção quádrupla composta pela Lua crescente, Mercúrio, Venus e Júpiter, novamente visível para oeste cerca de uma hora e meia após o pôr do sol.
A imagem mais marcante deverá ocorrer a 17 de junho, quando o fino crescente lunar se aproximar visualmente de Venus. “Particularmente espetacular será a aproximação do fino crescente lunar com Venus”, destacou Bachiller.













