«Hipócritas». Greta Thunberg acusa líderes mundiais de nada fazerem sobre a crise climática

A jovem ativista sueca considera que os líderes têm o “prazer” de estabelecer objetivos para as próximas décadas, mas hesitam quando é necessária uma ação climática imediata.

Mara Tribuna

Os líderes e os políticos têm o “prazer” de estabelecer objetivos para as próximas décadas mas hesitam quando é necessária uma ação climática imediata. A afirmação é de Greta Thunberg, em entrevista ao The Guardian.

A jovem ativista sueca considera que muitos políticos são “hipócritas” e as cimeiras climáticas internacionais estão cheias de “palavras vazias”. Até a humanidade admitir que não conseguiu enfrentar a crise climática e começar a tratá-la como uma emergência, tal como a pandemia, a sociedade será incapaz de parar o aquecimento global, defende a ativista.

“Não há um político no planeta que prometa a ação climática necessária. Se ao menos isso”, disse a adolescente com 17 anos.

Greta inspirou-se nos milhões de estudantes que fizeram a greve escolar que começou sozinha na Suécia há 116 semanas. Desde então, dirigiu-se à Organização das Nações Unidas (ONU) e tornou-se uma das maiores defensoras do clima a nível mundial.

Ainda assim, a jovem ativista tem esperança. “Podemos tratar uma crise como uma crise, como temos visto com a pandemia”. Neste sentido, Greta afirma que se deve “tratar a crise climática como uma crise – que pode mudar tudo de um dia para o outro”.

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A escala e a velocidade das reduções de emissões necessárias para manter a temperatura global próxima do limite estabelecido pelo acordo climático de Paris são tão grandes que não podem ser alcançadas pelo funcionamento normal da sociedade, considera Thunberg. “Toda a nossa sociedade iria simplesmente fechar-se e demasiadas pessoas iriam sofrer”, disse.

“Portanto, a primeira coisa que precisamos de fazer é compreender que estamos numa emergência e admitir o facto de termos falhado – a humanidade falhou coletivamente – porque não se pode resolver uma crise que não se compreende”, sublinhou ao The Guardian.

Uma cimeira da ONU sobre o clima tinha sido agendada para começar esta segunda-feira em Glasgow, mas foi adiada por um ano devido à covid-19. Thunberg disse, no entanto, que não ficou desapontada com o atraso: “a não ser que tratemos a crise climática como uma crise, podemos ter tantas conferências quantas quisermos, mas serão apenas negociações, palavras ocas, lacunas e ‘greenwash’ [falsa apropriação de atitudes ambientalistas]”.

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Recentemente, países como o Reino Unido, China e Japão prometeram alcançar a neutralidade carbónica até 2050 ou 2060. As promessas “significam algo simbolicamente, mas se olharmos para o que elas realmente incluem, ou mais importante, excluem, há tantas lacunas. Não devemos concentrar-nos em datas, em 10, 20 ou mesmo 30 anos no futuro. Se não reduzirmos as nossas emissões agora, então esses objetivos distantes não vão significar nada, porque os nossos orçamentos de carbono terão desaparecido há muito”, salientou ainda.

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