A União Europeia (UE) não conseguiu opor-se ao presidente russo, Vladimir Putin, lamentaram líderes políticos, que criticaram o bloco por não parar a guerra, avança a ‘CNBC’.
“Somos muito eurocêntricos nesta crise, no sentido de que pensamos que isto é a Rússia versus o Ocidente – é muito mais amplo do que isso”, disse Alexander Stubb, ex-primeiro-ministro da Finlândia, num painel do Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça.
Stubb, que também atuou como ministro das Finanças e dos Negócios Estrangeiros da Finlândia, sublinhou que a guerra na Ucrânia acendeu um debate maior sobre a nova ordem mundial global.
“É um debate desconfortável para nós, europeus e norte-americanos, porque temos plena consciência de que temos mais a perder do que a ganhar”, afirmou em declarações à ‘CNBC’.
Para alcançar os seus objetivos de política externa, a UE pode ter que olhar além dos Estados Unidos. É aqui que a UE terá que “ser um pouco mais flexível”, afirmou Stubb, sugerindo que alianças flexíveis são a resposta daqui para frente.
“Isto significará, em alguns casos, que teremos de colaborar com países com os quais não nos sentimos tão à vontade”, disse, apontando para um certo nível de “hipocrisia” dos líderes europeus.
Em declarações no mesmo painel, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Áustria, Alexander Schallenberg, disse que a UE foi “ingénua” no período que antecedeu a invasão da Ucrânia e que a guerra se tornou “uma terapia de choque” para o bloco.
“Já falaram em hipocrisia, em ingenuidade e eu direi que parte disto é apenas ganância”, complementou Natalie Jaresko, ex-ministra das Finanças da Ucrânia, no mesmo painel de Davos, citada pela ‘CNBC’.
A responsável acrescentou que foram feitos “muitos avisos desde a Conferência de Segurança de Munique (em 2007), onde Putin anunciou uma guerra contra a ordem liberal, até à guerra na Chechénia. O que mais era preciso saber?”, questionou.
Por fim, para a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, já não é altura de a UE se culpar, mas sim de dizer que nunca mais vai sofrer com a inação.
“Desviámos o olhar dos problemas que estavam à nossa porta, das crises e grandes tragédias, como no Afeganistão, que estão a acontecer por causa da nossa inação. Por isso, acho que, em vez de olhar e dizer que fomos egoístas, temos de assumir a culpa e não fazer isto nunca mais”, rematou.














