Hiperplasticidade e liderança

Por Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

“Você se torna no que você acredita” – Oprah Winfrey

Esta frase espelha bem o que pretendo opinar a seguir: que a liderança e uma das suas características – a inteligência emocional – é uma competência que pode ser desenvolvida para ter sucesso.
Não sou neurologista, nem sequer médico, nem pretendo que este seja um artigo científico, mas um conselho para aumentar a sua competência emocional de liderança.
Esta capacidade que o nosso cérebro tem de se adaptar às situações de pressão, causando stress bom ou stress mau, é verdadeiramente fabulosa, a hiperplasticidade. Em situação de stress, existe uma resposta natural do nosso organismo, que quando em excesso, pode provocar reações e problemas inesperados. Trata-se de reminiscências do nosso instinto de sobrevivência para que fiquemos alertas. Em caso de stress, quando existe perceção de perigo, o nosso instinto provoca a intervenção de 2 partes do cérebro: o límbico e o córtex pré-frontal. O sistema límbico é a zona de reação automática, que provoca reações instintivas e desencadeia a secreção de hormonas que promovem um estado de alerta e mesmo de pânico. Do outro lado, o córtex pré-frontal tem um papel racional, de análise e organização. A libertação de hormonas no córtex pré-frontal elabora uma análise ponderada e desenvolve novas soluções. Mas a grande questão é que sendo dois sistemas complementares, em caso de stress, o sistema límbico prevalece e comanda, sendo o instinto o que actua mais rápido. Reações como o aumento da frequência cardíaca, sensação de boca seca, tremor (entre outros) são provocados por um desvio do sangue do músculo, do cérebro e do coração para preparar o nosso organismo para a fuga ou a luta. Para evitar que tal aconteça é necessário treinar e disciplinar a supremacia do córtex pré-frontal. Porque esta “bomba” hormonal que é activada pela pressão e stress, começa a produzir e libertar adrenalina e cortisol nas glândulas supra renais.
Nos desportistas profissionais a activação cerebral provocada pelas alterações químicas e estruturais são concentradas, enquanto que nos amadores são mais dispersas pelas diversas regiões cerebrais. Regiões como o hipocampo, a amígdala, o córtex visual, entre outros. Esta dispersão chamada “sequestro emocional “ por Daniel Goleman é, na realidade, um sequestro límbico ou neural em que as impressões sensoriais são enviadas sem passar pelo neocórtex (o sistema racional) directamente para o lóbulo temporal, passando da amígdala ao tálamo. Acontece, como referimos, quando surgem emoções fortes, como medo, raiva, excitação excessiva ou qualquer outra emoção que dificulte o pensamento racional.
Mas o nosso cérebro tem uma propriedade intrínseca fabulosa, como disse: a hiperplasticidade cerebral. Ou seja a capacidade de, como “a plasticina”, adaptar-se e modificar estruturas e funções, estabelecendo novos circuitos cerebrais. Este dinamismo do nosso cérebro permite adquirir novas habilidades, adaptar-se a situações extremas, aprender, recordar, reorganizar e mesmo recuperar de danos cerebrais criando (ou mantendo) circuitos cerebrais.
Se o cérebro pode “aprender” a não ser sequestrado, então esta competência pode ser fundamental para ser resiliente e emocionalmente estável. Mas para isso temos de o treinar.
A melhor forma de potenciar a hiperplasticidade a nosso favor é observar os outros a fazer algo que nos pode sequestrar a mente. Por isso estudamos e assistimos a palestras. Mas, segundo os neurologistas e estudiosos do tema, não basta. Temos também de observar e ao mesmo tempo visualizarmo-nos a fazer, ou fazer. Treinar portanto. A técnica de Observação e visualização permite treinar o sistema límbico para reagir em nosso proveito (sem ser de alerta e pânico), utilizando toda aquela energia para atingirmos uma situação de stress bom. Ao observarmos um “campeão” a fazer algo, mas também visualizarmos como nós faríamos, permite ao nosso cérebro aprender e corrigir comportamentos “diletantes” que o campeão não pratica. É uma espécie de “GAP analysis”, que avalia o que se deve fazer e o que nós estamos a fazer.
Portanto para impedir ser sequestrado pelo sistema límbico nas situações de stress e pressão, importa prevenir. Esta aprendizagem incide em duas aquisições cognitivas: a Observação e visualização. Recordando que ter stress não é negativo, desde que seja stress bom. E sem ação, não há resultados. Porque se continuar a fazer o mesmo que faz hoje, terá os resultados de hoje!


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