Hepatite de origem desconhecida: Reportados mais dois casos suspeitos em Portugal

Estes dois casos dizem respeito a duas crianças que estão internadas em hospitais no sul do país.

Executive Digest

Portugal tem registo de mais dois casos suspeitos de hepatite aguda infantil (de origem desconhecida), de acordo com informações avançadas esta sexta-feira pela ‘TVI/CNN Portugal’.

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Segundo a estação, estes dois casos dizem respeito a duas crianças que estão internadas em hospitais no sul do país.

Estes juntam-se assim a outros quatro que a Direção-Geral da Saúde (DGS) já tinha reportado, no início da semana, relacionados com crianças com idades entre os sete meses e os oito anos, que já se encontram recuperadas.

O secretário de estado adjunto e da saúde, António Lacerda Sales, também já confirmou esta informação. Em declarações à RTP, disse que já foram reportados “seis casos suspeitos da hepatite atípica”, os quais “estão a ser vigiados”, ou seja, “mais dois casos” suspeitos face à anterior atualização.

Segundo Lacerda Sales, um dos casos que está a ser monitorizado encontra-se no Hospital de S. João, havendo um outro em Tondela. Existem ainda “alguns casos suspeitos no setor privado”, que estão também a ser acompanhados pela DGS.

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No contexto do surto internacional, foi constituída uma ‘taskforce’ pela DGS, que inclui especialistas da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP).

Perante uma doença de causa ainda desconhecida, e que se encontra em investigação, a DGS recomenda o reforço de medidas gerais de proteção individual, como a higiene das mãos, a etiqueta respiratória, o arejamento e ventilação dos espaços interiores ou a limpeza e desinfeção frequente de equipamentos e superfícies.

Caso uma criança apresente sintomas respiratórios e gastrointestinais deverá evitar, como habitualmente, creches ou estabelecimentos de educação ou ensino.

“Devido à necessidade de melhor compreender este quadro”, a DGS refere que tem participado formalmente em diversas reuniões de trabalho com os seus homólogos, através do Programa Nacional para as Hepatites Virais, em parceria com a SPP.

No passado dia 15 de abril, a Organização Mundial de Saúde lançou um alerta sobre o aumento do número de casos de hepatite aguda grave em crianças saudáveis. Já são mais de 200. Até ao momento o maior número de casos ocorreu na Europa, sobretudo no Reino Unido e foi mais frequente entre os 3 e os 5 anos de idade.

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O que já sabe:

Rui Tato Marinho, coordenador do programa nacional para as hepatites virais da DGS, já tinha referido à Multinews que a doença resulta em “alterações muito grandes nas análises do fígado” e “muitas vezes começa com vómitos, febre, dores de barriga e em casos mais graves os olhos amarelos, a chamada icterícia”.

Segundo o especialista, “é uma hepatite em crianças muito pequenas, entre 2 e 4 anos”, nas quais “foi detetado um vírus conhecido por ‘adenovírus’, que também foi identificado na Covid, mas não quer dizer nada”, explicou no final do mês passado, adiantando que “não é nenhum dos vírus comuns, A, B,C,D,E”, que são identificados com maior frequência.

“Em cerca de 10% dos casos” é necessário um transplante. “Em 10 crianças há uma que agora precisa de um transplante, tendo já sido transplantadas cerca de 17, o que denota a gravidade do assunto”, referiu ainda.

O médico sublinhou que “no princípio é difícil dizer que é uma hepatite aguda, para se ter a certeza é necessário fazer análises ao fígado”, mas “eu não colocaria as pessoas em pânico”.

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“Os pais, avós e cuidadores normalmente estão muito atentos às crianças e à mínima coisa são tratados. Os pais são bons pais. Por isso não vale a pena irem todos a correr às urgências para fazerem análises ao fígado”, alertou.

Rui Tato Marinho “preferia que (o surto) não existisse”, mas não considera provável que Portugal escape, uma vez que a doença já se espalhou por tantos países da Europa, inclusive no país vizinho. “Agora não há hipótese de fugir, se já está em Espanha não é nada impossível que venha para Portugal”, afirmou.

Sintomas a que deve estar atento:

A hepatite de origem desconhecida é, como o próprio nome indica, para já um mistério para a comunidade médica. As informações até ao momento são escassas, mas há dois sintomas a que os pais devem estar atentos.

“É um processo muito completo quando aparece uma doença cujo agente nós não conhecemos. Nem sequer temos neste momento a certeza de ser uma doença transmissível, porque o padrão epidemiológico não é muito claro”, refere a virologista Laura Brum, em declarações à ‘SIC Notícias’.

Segundo a responsável, “tudo isto ainda é muito precoce e estamos na fase de juntar informação”, mas já é possível perceber alguns sintomas mais específicos da doença, a que os pais devem prestar especial atenção.

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“Para além dos sintomas gastrointestinais, como diarreia e vómitos, esta hepatite caracteriza-se por icterícia, cor amarelada da pele e dos olhos, e pelas fezes poderem estar mais esbranquiçadas/descoloradas”, sublinha. “São dois sinais que é importante os pais estarem mais vigilantes nesta situação”, conclui.

*Notícia atualizada às 14h52 com informação de Lacerda Sales

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