Hepatite de origem desconhecida: Portugal reporta mais três casos suspeitos

A mais pequena tinha uma forma agressiva do vírus herpes, a de quatro meses estava infetada com Covid-19 e a terceira apresentava uma infeção fulminante no fígado cuja causa ainda não foi identificada.

Executive Digest

Portugal regista mais três casos suspeitos de hepatite aguda de origem desconhecida, reportados pelo Centro Materno-Infantil do Norte (CMIN) em crianças com menos de um ano de idade.

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Segundo a ‘RTP’, duas das crianças – uma com dois meses e outra com quatro – deram entrada neste estabelecimento de saúde em abril, a outra  – com menos de um ano também – entrou já este mês com formas graves de hepatite.

A mais pequena tinha uma forma agressiva do vírus herpes, a de quatro meses estava infetada com Covid-19 e a terceira apresentava uma infeção fulminante no fígado cuja causa ainda não foi identificada.

Neste último caso, adianta a estação, a criança já se encontra a recuperar e está a ser acompanhada em consulta. Quanto às outras, inspiram ainda preocupação.

Os casos foram todos notificados à Direção Geral da Saúde (DGS), porque não há conclusões definitivas das causas e assim contribuiu-se para a investigação mundial.

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Estes três casos suspeitos juntam-se a outros seis já notificados às autoridades de saúde. Todos os casos ocorreram desde o início de abril, primeiro quatro (que foram reportados pelo ECDC) e “mais dois casos suspeitos” que “é normal que continuem a aparecer”, segundo Paula Vasconcelos, do Centro de Emergências em Saúde Pública, da DGS.

A nível global há registo de cerca de 300 casos desta forma atípica de hepatite, com os Estados Unidos a comunicarem cinco mortes e 15 transplantes de fígado.

Perante uma doença de causa ainda desconhecida, e que se encontra em investigação, a DGS recomenda o reforço de medidas gerais de proteção individual, como a higiene das mãos, a etiqueta respiratória, o arejamento e ventilação dos espaços interiores ou a limpeza e desinfeção frequente de equipamentos e superfícies.

Caso uma criança apresente sintomas respiratórios e gastrointestinais deverá evitar, como habitualmente, creches ou estabelecimentos de educação ou ensino.

“Devido à necessidade de melhor compreender este quadro”, a DGS refere que tem participado formalmente em diversas reuniões de trabalho com os seus homólogos, através do Programa Nacional para as Hepatites Virais, em parceria com a SPP.

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O que já sabe:

Rui Tato Marinho, coordenador do programa nacional para as hepatites virais da DGS, já tinha referido à Multinews que a doença resulta em “alterações muito grandes nas análises do fígado” e “muitas vezes começa com vómitos, febre, dores de barriga e em casos mais graves os olhos amarelos, a chamada icterícia”.

Segundo o especialista, “é uma hepatite em crianças muito pequenas, entre 2 e 4 anos”, nas quais “foi detetado um vírus conhecido por ‘adenovírus’, que também foi identificado na Covid, mas não quer dizer nada”, explicou no final do mês passado, adiantando que “não é nenhum dos vírus comuns, A, B,C,D,E”, que são identificados com maior frequência.

“Em cerca de 10% dos casos” é necessário um transplante. “Em 10 crianças há uma que agora precisa de um transplante, tendo já sido transplantadas cerca de 17, o que denota a gravidade do assunto”, referiu ainda.

O médico sublinhou que “no princípio é difícil dizer que é uma hepatite aguda, para se ter a certeza é necessário fazer análises ao fígado”, mas “eu não colocaria as pessoas em pânico”.

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“Os pais, avós e cuidadores normalmente estão muito atentos às crianças e à mínima coisa são tratados. Os pais são bons pais. Por isso não vale a pena irem todos a correr às urgências para fazerem análises ao fígado”, alertou.

Rui Tato Marinho “preferia que (o surto) não existisse”, mas não considera provável que Portugal escape, uma vez que a doença já se espalhou por tantos países da Europa, inclusive no país vizinho. “Agora não há hipótese de fugir, se já está em Espanha não é nada impossível que venha para Portugal”, afirmou.

Sintomas a que deve estar atento:

A hepatite de origem desconhecida é, como o próprio nome indica, para já um mistério para a comunidade médica. As informações até ao momento são escassas, mas há dois sintomas a que os pais devem estar atentos.

“É um processo muito completo quando aparece uma doença cujo agente nós não conhecemos. Nem sequer temos neste momento a certeza de ser uma doença transmissível, porque o padrão epidemiológico não é muito claro”, refere a virologista Laura Brum, em declarações à ‘SIC Notícias’.

Segundo a responsável, “tudo isto ainda é muito precoce e estamos na fase de juntar informação”, mas já é possível perceber alguns sintomas mais específicos da doença, a que os pais devem prestar especial atenção.

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“Para além dos sintomas gastrointestinais, como diarreia e vómitos, esta hepatite caracteriza-se por icterícia, cor amarelada da pele e dos olhos, e pelas fezes poderem estar mais esbranquiçadas/descoloradas”, sublinha. “São dois sinais que é importante os pais estarem mais vigilantes nesta situação”, conclui.

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