Hamas vigiava palestinianos com força policial secreta: atividade política, publicações online e até vidas amorosas sob apertado controlo

A unidade, conhecida como Serviço de Segurança Geral, dependia de uma rede de informadores de Gaza, alguns dos quais denunciaram os seus próprios vizinhos à polícia

Francisco Laranjeira

O líder do Hamas, Yahya Sinwar, supervisionou durante anos uma força policial secreta em Gaza que vigiava os palestinianos comuns e construía arquivos sobre jovens, jornalistas e aqueles que questionavam o Governo, segundo indica esta segunda-feira a publicação ‘The New York Times’.

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A unidade, conhecida como Serviço de Segurança Geral, dependia de uma rede de informadores de Gaza, alguns dos quais denunciaram os seus próprios vizinhos à polícia. Houve pessoas que foram parar em arquivos de segurança por participarem de protestos ou por criticarem publicamente o Hamas. Em alguns casos, os registos sugerem que as autoridades seguiram as pessoas para determinar se mantinham relações românticas fora do casamento.

O Hamas há muito que administra um sistema opressivo em Gaza. No entanto, durante uma apresentação sobre as atividades do Serviço de Segurança Geral, feita apenas algumas semanas antes do ataque de 7 de outubro a Israel, foi possível perceber até que ponto aquela unidade, em grande parte desconhecida, penetrou nas vidas dos palestinianos.

Os líderes do Hamas, apesar de afirmarem representar o povo de Gaza, não toleram sequer um sopro de dissidência. As autoridades de segurança seguiram jornalistas e pessoas suspeitas de comportamento imoral. Os agentes retiraram as críticas das redes sociais e discutiram formas de difamar adversários políticos. Os protestos políticos eram vistos como ameaças a serem minadas.

“Enfrentamos bombardeamentos por parte da ocupação e violência por parte das autoridades locais”, descreve Ehab Fasfous, jornalista de 51 anos da Faixa de Gaza que surgiu nos ficheiros do Serviço de Segurança Geral – é descrito como “um dos maiores odiadores do Hamas”.

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O Serviço Geral de Segurança faz formalmente parte do partido político Hamas, mas funciona como parte do Governo. De acordo com fonte da publicação americana, o serviço era um dos três poderosos órgãos de segurança interna em Gaza. Os outros eram a Inteligência Militar, que normalmente se concentra em Israel, e o Serviço de Segurança Interna, um braço do Ministério do Interior.

Com despesas mensais de 120 mil dólares antes da guerra com Israel, a unidade empregava 856 pessoas – destes, mais de 160 foram pagos para difundir a propaganda do Hamas e lançar ataques online contra opositores nacionais e estrangeiros. Seria supervisionada diretamente por Sinwar.

A apresentação dizia que o Serviço Geral de Segurança trabalha para proteger o povo, as propriedades e as informações do Hamas, e para apoiar a tomada de decisões da sua liderança.

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