Hackers podem usar veículos eléctricos para viciar eleições

Os veículos eléctricos são uma potencial porta aberta para hackers interessados em prejudicar o normal funcionamento das votações.

Filipa Almeida

O perigo dos sistemas digitais de voto tem sido debatido amplamente ao longo dos últimos anos, sendo um dos motivos para que o número de países a adoptar esta alternativa seja reduzido. Porém, o risco não se encontra apenas nas próprias máquinas de voto, tal como aponta o site Quartz.

O alerta chega pelas mãos de Yury Dvorkin, professor na Tandom School of Engineering da New York University. De acordo com o docente, os veículos eléctricos são uma potencial porta aberta para hackers interessados em prejudicar o normal funcionamento das votações, nomeadamente das próximas eleições presidenciais dos Estados Unidos da América.

Yury Dvorkin explica que se um pirata informático conseguir aceder a mil veículos eléctricos enquanto carregam em postos da rede pública, poderá ser suficiente para “desligar” secções de voto inteiras. A escolha das localizações das secções de voto, por seu turno, poderá influenciar o resultado final: determinadas localidades cujas intenções de voto não sejam favoráveis aos interesses dos hackers poderão ser alvos de ataques deste tipo.

«Com base nas estatísticas disponíveis, populações urbanas tendem a favorecer um certo tipo de partido político», explica Yury Dvorkin à mesma publicação. «Se no dia da eleição, existir um apagão na cidade, significa que este voto será suprimido. E mesmo olhando para um estado relativamente azul [democrata] como Nova Iorque, onde as pessoas que vivem em áreas rurais também regularmente votam num determinado partido, suprimir o voto urbano pode mudar o estado de azul para vermelho [republicano]», vaticina o professor.

O Quartz sublinha que um ataque à rede eléctrica não é apenas uma ideia: já aconteceu na Argentina e no Uruguai este ano e há registos de uma tentativa do tipo no Reino Unido.  Ainda assim, fontes contactadas pelo site mostram-se cépticas quanto à possibilidade de um cenário como este nos EUA. Joseph Wippl, antigo agente da CIA, por exemplo, acredita ser «possível mas não provável».

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